QUE SERIA DO HOMEM SEM A MISERICÓRDIA DE DEUS?


Como se julgar — e condenar — já não fosse censurável, temos uma assustadora inclinação para julgar — e condenar — com base em meras suspeitas e preconceitos. Quantas vezes culpamos quem está inocente, acabando por inocentar quem está verdadeiramente culpado! Mas mesmo para quem está culpado estendamos as mãos, em vez de virar as costas. Quem furta uma vez não é necessariamente um ladrão. É alguém que certamente falhou e que, por tal motivo, precisa de ser ajudado para não voltar a cair.
É urgente instaurar no mundo uma cultura da tolerância, da clemência e da compaixão. Estamos cansados de tanto radicalismo implacável, que condena sem julgar e que julga sem dar oportunidade de defesa. No fundo, precisamos de dar mais guarida aos sentimentos do que aos ressentimentos. É o amor que tem de imperar se o mundo quisermos mudar. Não há outra via. Nada mais devolverá ao mundo o sentido e a alegria. Só o amor fará despontar um novo caminho para trilhar.

Nós, cristãos, temos sem dúvida muito para ensinar; mas temos muito mais para aprender. Também nós temos falhas no amor. Também entre nós há muitas suspeições, difamações e calúnias. O amor está perto de nós, mas nós nem sempre estamos perto do amor. Não foi em vão que o teólogo Hans Urs von Balthasar reconheceu que «só o amor é digno de fé». Ou seja, só o amor oferece credibilidade à fé. À semelhança de Jesus, deixemos transparecer o amor na nossa vida e no nosso testemunho. Se Deus é misericordioso (cf. Lc 6, 36), sejamos misericordiosos.

Como verbalizou São Tomás, «a misericórdia é o que de melhor podemos dizer acerca de Deus». Que seria de nós sem a misericórdia de Deus? Sem misericórdia, não teríamos solução. Sem misericórdia, não haveria salvação («extra misericordiam, nulla salus»).

Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

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