"A inocência, a eterna lei..."


"Em verdade vos digo: quem não receber o Reino de Deus como uma criança, não entrará nele. Ele abraçava as crianças e as abençoava, impondo-lhes as mãos" [cf. Mc 10,15-16].

Compenetremo-nos disto: somos criaturas contingentes, necessitamos do auxílio de Deus! É preciso ser "como uma criança" para reconhecer a vontade d'Ele e cumpri-la: seja no matrimônio, com a disposição de harmonizar-se com o cônjuge; seja no estado religioso, com a alma aberta a tudo o que vem do alto, à maneira do filho dócil aos ensinamentos dos pais.

Ser como criança significa também ser inocente, isto é, ter a alma semelhante a um cristal que nunca foi riscado: límpida, transparente e cheia de luz, jamais manchada por qualquer falta. O Reino de Deus é constituído por aqueles que se empenham em conservar a própria inocência e a dos demais. Quando rezamos o Pai-Nosso "venha a nós o vosso Reino", devemos arder do desejo de que na Terra e em nosso interior se estabeleça a supremacia da inocência! Se abraçarmos este ideal, seremos abraçados por Nosso Senhor, porque Ele abençoa os que se fazem pequenos.

Entretanto, quem perdeu a inocência, não pense estar numa situação irremediável. Este tesouro pode ser restaurado, como se verificou no caso de Maria Madalena, Santo Agostinho e tantos outros, ao longo dos tempos. E é sobretudo no amor à Inocência que recuperamos à nossa inocência!

"Aquele, por quem e para quem todas as coisas existem" - Jesus Cristo - "e que desejou conduzir muitos filhos à glória. Sim, Ele quer os filhos nascidos da união entre o homem e a mulher para levá-los, inocentes, à eterna bem-aventurança! "Pois tanto Jesus, o Santificador, quanto os santificados, são descendentes do mesmo ancestral; por esta razão, Ele não se envergonha de os chamar irmãos"[Hb 2,11]. Eis a causa de toda inocência, a fonte de nossa vida espiritual!

Cada um de nós esteve na mente de Deus desde toda a eternidade e, em certo momento, passou a existir. No campo sobrenatural temos a mesma origem de Nosso Senhor Jesus Cristo, somos todos irmãos, pertencemos à família divina, e é com vistas a aumentar o número de seus membros que foi instituída a família terrena. Peçamos o indispensável amparo da graça para conservarmos intacta a inocência, ou para reconquistá-la, e sejamos arautos da Inocência Eterna, Nosso Senhor Jesus Cristo, e da Inocente por excelência, Maria Santíssima. Brilhe a inocência sobre a face da Terra de forma gloriosa, portentosa e extraordinária, e divida a história, como Cristo o fez, sendo pedra de escândalo para a salvação de uns e condenação de outros!
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