A TRISTEZA DA BELEZA E A BELEZA DA TRISTEZA


João Paulo I, imediato sucessor de São Paulo VI, ter-nos-á surpreendido quando declarou que «Deus é Pai e, ainda mais, Mãe». No fundo, Maria traz para nós a paternidade maternal de Deus. Aprendamos com Maria a estarmos sempre unidos a Jesus. Como Mãe e como discípula, nunca Jesus abandonou: foi a Jesus que Ela sempre Se dedicou. Quem procura Maria inevitavelmente encontra Jesus. Se alguém não encontra Jesus é porque, verdadeiramente, não procurou Maria. Será que já reparamos no estreitíssimo vínculo que amarra Maria a Jesus?

Aquela que nunca conheceu o pecado ajudar-nos-á a evitar e a vencer o pecado. Por tal motivo, Maria é uma presença que a nossa fé não dispensa. É uma lembrança que acalenta a nossa esperança. Ela é a toda pura e é com emoção que olhamos para a Sua figura. Ela, que esteve junto à Cruz, continuará a levar-nos até Jesus.

Deixemo-nos, pois, guiar por Maria. Ela é a primeira mulher da nova humanidade. Ela tornou-Se a nova Eva, a outra Eva. Ela é saudada com este nome invertido. «Ave» é o contrário de Eva, sinal de que, a partir de agora, tudo é diferente. O «sim» de Maria nunca mais terá fim. O amor de Maria é fecundo porque o seu «sim» é profundo. Os Seus lábios disseram «amém» e todo o Seu ser anuiu também. Com Maria digamos «sim». Com Maria digamos também «amém».

Termino com o meu poema preferido sobre Nossa Senhora. Foi composto por Antero de Quental. Era um espírito inquieto, mas que sempre soube encontrar a bússola certa para os seus caminhos incertos. É um texto sentido, um texto sofrido. É um texto que fala da Mãe, do Seu amor e da Sua dor, da Sua tristeza e da Sua beleza. De facto, tanto amor há na dor e tanta dor há no amor; tanta tristeza há na beleza e tanta beleza há na tristeza. Eis o poema:

«Num sonho todo feito de incerteza,
De noturna e indizível ansiedade
É que eu vi o teu olhar de piedade
E (mais que piedade) de tristeza.

Não era o vulgar brilho da beleza,
Nem o ardor banal da mocidade.
Era outra luz, era outra suavidade,
Que até nem sei se as há na Natureza.

Um místico sofrer... uma ventura
Feita só de perdão, só da ternura
E da paz da nossa hora derradeira.


Ó visão, visão triste e piedosa!
Fita-me assim calada, assim chorosa.
E deixa-me sonhar a vida inteira!»


Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

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