«Então, verão o Filho do Homem vir sobre as nuvens com grande poder e glória»

Orígenes (c. 185-253), presbítero, teólogo
Homilias sobre o Livro de Josué, 16, 3


«[O Senhor disse a Josué:] Há ainda muita terra por conquistar» (Js 13,1). [...] Considerai a primeira vinda de Nosso Senhor, o Salvador, quando veio semear a Palavra a este mundo; pela simples força da Sua sementeira, apoderou-Se de toda a terra, pondo em fuga as potências adversas e os anjos rebeldes que dominavam o espírito das nações, ao mesmo tempo que semeava a Sua Palavra e expandia a Sua Igreja. Assim foi a Sua primeira tomada de posse de toda a terra.

Segui-me agora [...] pelas veredas subtis da Escritura e mostrar-vos-ei em que consiste a segunda conquista de uma terra da qual foi dito a Josué/Jesus que restava ainda grande parte. Escutai as palavras de Paulo: «É necessário que Ele reine até que tenha feito de todos os inimigos um estrado para os seus pés» (1Cor 15,25; Sl 109 [110], 1). Essa é a terra da qual restava grande parte até que todos fossem submetidos a Seus pés e desse modo Ele tomasse para Si todos os povos como herança. [...] Naquilo que a nós agora diz respeito, vemos que muitas coisas que «restaram» não estão ainda submetidas aos pés de Jesus; ora, é preciso que Ele entre na posse de todas, uma vez que não poderá haver fim do mundo sem que tudo Lhe tenha sido submetido. Assim diz o Profeta: «Todas as nações Lhe serão submetidas, das extremidades dos rios até às extremidades da terra, e diante d'Ele se prostrarão os etíopes» (Sl 71 [72], 8-9, LXX) e «Do outro lado dos rios da Etiópia hão-de trazer-Lhe ofertas» (Sf 3,10).

Daqui resulta que, na Sua segunda vinda, Jesus dominará esta terra da qual muito resta por possuir. Mas bem-aventurados aqueles que tiverem sido Seus súbditos desde a primeira, pois serão verdadeiramente cumulados de favores, mau grado a resistência de tantos inimigos e os ataques de tantos adversários. Receberão [...] a sua parte da Terra Prometida. Mas, assim que pela força for conseguida a submissão, no dia em que necessariamente for destruído o último inimigo que é a morte (1Cor 15,26), não haverá quaisquer favores para aqueles que recusarem submeter-se-Lhe.
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