Também na fé precisamos de óculos


Não é por falta de aviso, porém, que nos comportamos assim. Antoine de Saint-Exupéry deixou o alerta quando afirmou que «o essencial é invisível aos olhos». O que ele queria dizer é que o mais importante da vida não se capta com os olhos que temos na face. O mesmo Saint-Exupéry assinalou que «só se vê bem com o coração». Ou seja, não se vê bem apenas por fora. Só se vê bem por dentro. Só se vê bem quando conseguimos chegar dentro e aterrar na profundidade.

É por isso que, como muito bem percebeu o Papa Bento XVI, «o programa do cristão é o coração que vê». Só o coração vê onde «há necessidade de amor». E só o coração «atua em consequência».

Olhemos, pois, para o cego do Evangelho, mas não esqueçamos nunca o «Evangelho do cego», isto é, a boa notícia realizada neste cego. Só Jesus é luz. Só Jesus faz ver. Só Jesus cura da cegueira. Afinal, este homem, antes de ver com os olhos, já via com o coração. O seu coração já estava iluminado pela luz que é Jesus. Por isso, teve a lucidez, a coragem e a humildade de pedir: «Que eu veja» (Mc 10, 51). O texto diz que «imediatamente recuperou a visão» (Mc 10, 52).

Jesus lembra-lhe que foi a fé que o salvou (cf. Mc 10, 52). Isto significa que a fé oferece-nos aqueles «óculos» que podemos colocar por cima dos nossos olhos. É pelos «ocula fidei» (óculos da fé) que conseguimos ver o invisível. Por conseguinte, Deus deixou-nos uns óculos para podermos ver, para O podermos ver: os «óculos da fé».


Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

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