S. Tomás de Aquino, a vida em Sociedade e os deveres do Rei

Os seres humanos agrupam-­se para que juntos vivam bem, algo que cada um isoladamente não poderia conseguir. Ora, a boa vida é aquela segundo a virtude. A vida virtuosa é, portanto, o fim em virtude do qual os seres humanos passam a viver conjuntamente. Isso é comprovado pelo facto de que somente aqueles que se auxiliam mutuamente no bem viver são participantes da colectividade. 

Caso os seres humanos se associassem unicamente para o viver, os animais também integrariam a comunidade civil. Se a associação fosse apenas para a obtenção de riquezas, todos os comerciantes pertenceriam a uma única cidade. Agora, vemos que somente podem ser computados numa mesma colectividade aqueles que sob as mesmas leis e governo são dirigidos ao bem viver.

Entretanto, ao viver de acordo com a virtude, o ser humano é ordenado a um fim superior, que consiste na fruição divina, como acima mostramos. Ora, é preciso que o fim para a colectividade seja o mesmo que para o indivíduo. Portanto, o fim da colectividade não pode ser o viver de acordo com a virtude, mas, através da vida virtuosa, alcançar a fruição divina. 

Ora, dado que o fim da vida que aqui bem vivemos é a beatitude celeste, então pertence ao dever do Rei buscar as coisas necessárias à boa vida da colectividade e que estão de acordo com a beatitude celeste. Assim, ele deve, dentro do possível, incentivar o que conduz à beatitude celeste e proibir o contrário.

São Tomás de Aquino in 'De Regno' (Civitas Editions, 2010)
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