Lei já é bastante, mas ainda não é o bastante

Aquele homem sabia tudo e pensava que já tinha feito tudo. Para ele, era só continuar a fazer o que fazia. Quando Jesus enuncia os Mandamentos, ele exulta como o atleta que alcançou a meta: «Mestre, tudo isso tenho eu cumprido desde a juventude» (Mc 10, 20). Efetivamente, não é coisa pouca — nem coisa fácil — cumprir os Mandamentos. É certo que nenhum de nós mata nem rouba. Mas quantos de nós podem assegurar que nunca levantaram falsos testemunhos? Quantos de nós podem garantir que nunca cometeram fraudes? Quantos de nós farão tudo por seu pai e sua mãe? (cf. Mc 10, 19).
Afinal, aquele homem já tinha feito bastante. A avaliar pela reação de Jesus, ele estava mesmo a ser sincero. A afeição de Jesus é sinal do reconhecimento da autenticidade das suas palavras. Se já tinha feito tanto, não deveria custar fazer o que ainda faltava: vender o que tinha, dá-lo aos pobres e seguir Jesus (cf. Mc 10, 21). Tratava-se, no fundo, do corolário da sua — já bem conseguida — obra.

  1. Em coerência com o Seu ensinamento, Jesus estava a dizer que o Antigo Testamento era necessário, mas insuficiente. A antiga Lei era bastante, mas ainda não era o bastante. Como sempre vincou desde o princípio, Jesus não veio destruir a Lei, mas cumprir a Lei (cf. Mt 5, 17). Jesus não é a anulação, mas o pleno cumprimento da Lei.
Isto significa que só no Novo Testamento se cumpre cabalmente o Antigo. Só Jesus cumpre integralmente a Lei. Como proclama o Concílio Vaticano II, o Antigo Testamento só está patenteno Novo, o que equivale a reconhecer que o Novo Testamento já estava latente no Antigo.


Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.
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