A CASTIDADE SACERDOTAL

Missa Sacrificio
“Conta-se na Mitologia grega, diz o Pe. Félix Alejandro Cepeda, que em Tebas havia um monstro chamado Esfinge, o qual tinha rosto de mulher, asas de pássaro e garras de leão; sua ocupação era propor aos transeuntes enigmas ou advinhas  que lhe haviam ensinado as musas. Àquele que não sabia adivinhá-las, dava-lhe a morte. Um dia em que passava Edipo, perguntou-lhe a Esfinge: Qual é o ser ao mesmo tempo, o mais grande e o mais pequeno?  E Edipo, aquele infeliz Edipo, que estava destinado a matar  seu pai e a casar-se com sua mãe, respondeu: O HOMEM. Pois bem, continua o Pe. Félix, se a mim fosse feita a mesma pergunta, responderia sem vacilar: O SACERDOTE. O sacerdote, com efeito, é grande por sua excelsa dignidade, porém se envilece até ao máximo se cai no pecado mortal”. E, caríssimos, acrescento que, em se tratando de pecados impuros, seu aviltamento é  um dos mais hediondos.
Em Roma, nos tempos do paganismo, havia as Sacerdotisas de Vesta, chamadas Vestais. Eram incumbidas de manter sempre aceso o fogo sagrado no templo da deusa. Eram elas em número de seis; ingressavam no templo com cerca de 10 anos de idade, e ali ficavam durante 30 anos, período durante o qual deviam conservar intacta a sua virgindade. Eram tidas pelos romanos em alta estima, tanto assim que nas solenidades elas tinham sempre os lugares de honra, e vestiam um especial hábito branco ornado de púrpura. Se um magistrado as topava na rua, cedia-lhes a direita. Se uma das Vestais faltasse ao seu dever e violasse a castidade, era condenada a ser enterrada viva num lugar chamado CAMPO CELERADO. Caríssimos, já percebeis até onde quero chegar: se os pagãos tinham tal veneração pelas pessoas de vida casta que para trabalhar no templo da deusa, elas tinham que conservar a virgindade, imaginemos quão gravíssimo e hediondo é o pecado que cometem na Casa do verdadeiro Deus, muitos clérigos que se consagraram a Deus fazendo o voto de castidade perfeita e pecam justamente quebrando este voto. Dizia um piedoso escritor: “O que guarda com fidelidade a castidade, despe-se da humanidade para se revestir da natureza angélica; assim como o que a imola é um anjo decaído, um demônio”. Podemos afirmar que a mais bela jóia da coroa sacerdotal é a castidade. Caríssimos, na verdade, o sacerdote sendo já super eminente pela sublimidade de suas funções inteiramente divinas, se continuamente se aplica a espiritualizar sua carne e seus sentidos pela castidade, se, transportado por esta virtude até ao Coração de Jesus, n’Ele estabelece sua morada habitual, não saindo daí senão como os anjos e com a pureza dos anjos para exercer entre os homens seu divino ministério, quem poderá descrever a magnificência de sua glória?
Se esquece, porém, sua grandeza, se esquece sua união inefável com a Carne e Sangue de Jesus Cristo, com que nutre todos os dias sua alma no santo altar, se esquece a rigorosa lei da castidade que o obriga já como cristão, se enfim deixa o coração de Deus e os resplendores celestes para sepultar seu sacerdócio na torpeza e devassidão, que monstro ele se torna!!! Já não é anjo, nem sequer homem; passou a demônio. O sacerdote impudico quebra os laços que o prendiam a Deus, não tendo já luz para se conduzir nem fervor para se consolar, nem coragem para se levantar, nem zelo para salvar seus irmãos, visto que ele mesmo se perde, cai loucamente de abismo em abismo.  E suas desordens, secretas ao princípio, acabam pelo não ser e então é que se vê na Igreja um desses escândalos, que arrancam às almas piedosas, gemidos e lágrimas; escândalo que faz a alegria dos ímpios, que cobre de opróbrio o que o causa, e faz que o divino Salvador diga o mesmo que dizia de seu pérfido apóstolo: “Ai daquele homem… melhor fora que não tivesse nascido!” Assim, devemos considerar a virtude da castidade como sendo tão
indispensavelmente necessária a um padre para edificação do próximo, para o pleno sucesso de seu ministério e para sua própria santificação, que não só não deve fazer absolutamente nada contra esta virtude, mas até abster-se de tudo o que possa despertar um vislumbre de suspeita contra a pureza de seus costumes. E os padres devem estar sempre lembrados que os demônios fazem esforços incríveis para precipitá-los da sua suprema elevação no abismo do lodaçal do vício impuro.
Deus quer anjos para o governo de sua Igreja, que é o seu reino terrestre, como os tem para o seu reino do Céu; por conseguinte é indispensável aos sacerdotes a virtude angélica: Jesus disse que no céu os eleitos são como anjos: “Na ressurreição, nem os homens terão mulheres, nem as mulheres maridos, mas serão como os anjos de Deus no
Céu” (S. Mateus XXII, 30). Bossuet, comparando a divina fecundidade do Sacerdote, que dá a Deus filhos espirituais, com a de Maria, afirma que uma e outra requerem uma pureza de todo angélica. A reza do Breviário, o sacrifício de louvores, a oração pública, exige dos sacerdotes quase tanta pureza como a de Jesus Cristo. E que dizer dá pureza ilibada com que deve o sacerdote subir ao Altar para oferecer a Vítima divina!? As coisas santas devem ser exercidas por pessoas santas: “Sancta sanctis”. E pode haver algo mais santo sobre a face da terra do que  o Sacrifício do Altar, pelo qual temos Jesus que renova
o Sacrifício do Calvário?!
Três coisas protegem os sacerdotes contra as quedas no vício impuro: a humildade, a vigilância e a generosidade. A virtude da humildade é a primeira defesa da castidade sacerdotal. Que perto está o homem de cair no abismo, quando confia em si! Nem a gravidade do caráter nem os progressos feitos na perfeição, nem a idade avançada podem dar uma completa segurança. A confiança em si degenera facilmente em presunção. Deus dá a graça aos humildes, e resiste aos soberbos. “Queres ser casto, pergunta Santo Ambrósio, sê humilde; queres ser castíssimo? sê humilíssimo”. A vigilância é uma consequência da humilde desconfiança de nós mesmos, e do conhecimento dos perigos a que os sacerdotes estão expostos. A fraqueza natural é tão grande, o demônio tão astuto, o contágio tão universal, as ocasiões tão numerosas e, hoje, mais do que nunca, que, se não emprega a máxima precaução, o sacerdote terá brevemente um coração de réprobo, será um verdadeiro demônio encarnado. Nas relações mais indispensáveis com o mundo, até nas santas funções do ministério sagrado, por toda a parte estão armados laços à pureza dos sacerdotes.
Os sacerdotes trazem o precioso tesouro da castidade perfeita num vaso por demais frágil. Daí a vigilância deve ser aquela lâmpada acesa com que o homem prudente alumia todos os seus passos. Deve vigiar sobre a imaginação, o coração, sobre todos os sentidos exteriores. Na verdade, o sacerdote deve vigiar até sobre o zelo, mas, de uma maneira especial, sobre as relações com as pessoas cuja idade e sexo poria em perigo a sua virtude ou a sua reputação. Finalmente, é mister que o sacerdote tenha generosidade, porque há laços que ele, sendo prudente, não procura desatar, mas quebra-os e com prontidão. E nenhuma virtude exige tanto a generosidade como a castidade virginal. O sacerdote deve fazer de seu corpo, que é templo de Deus, uma hóstia viva, santa, agradável ao Senhor, para que lha possa oferecer unida ao sacrifício do Altar. É o que manda S. Paulo a todo mundo, e, a fortiori deve-se dizer o mesmo dos sacerdotes: “Rogo-vos, pois, irmãos pela misericórdia de Deus, que ofereçais os vossos corpos como uma hóstia viva, santa, agradável a Deus” (Rom. XII, 1). Como não praticar a mortificação de Jesus Cristo, aqueles que se alimentam todos os dias de Jesus crucificado? O sacerdote deve, além de fugir dos perigos, ter a generosidade de estar sempre ocupado.  Deve ter um amor apaixonado pelo estudo das Sagradas Escrituras e dos Santos Padres, isto é,  da Exegese e da Teologia Dogmática e Moral. Sempre, mas hoje mais do que nunca, um sacerdote sem vida interior, sem meditação e retiro está fadado a ruína que, infelizmente, pode ser eterna! Caríssimos colegas no sacerdócio, sejamos padres santos, e para conseguir o fim almejado, pratiquemos antes de tudo a bela virtude da castidade perfeita, da qual fizemos voto a Deus, no dia mais feliz e solene de nossa vida! Amém!


fonte:https://fratresinunum.com/2018/10/16/a-castidade-sacerdotal/
A CASTIDADE SACERDOTAL A CASTIDADE SACERDOTAL Reviewed by Francisco Nascimento on 14:03 Rating: 5

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