Porquê não dar descanso (também) à língua?

  1. É coisa estranha, mas muito frequente. Temos muito cuidado com todo o nosso corpo, excepto com a nossa língua. Procuramos dar descanso ao nosso corpo, excepto à nossa língua. E nem sequer damos conta do mal que causamos com o abuso — e o mau uso — da língua. Daí vêm tantos mal-entendidos e tantas discórdias, desordens e ações perversas (cf. Tgo 3, 16).
São Tiago exorta-nos a ter cautela com a língua (cf. Tgo 3,1-12). De seguida, refere-se à necessidade de os crentes rejeitarem a «sabedoria do mundo» e de acolherem a «sabedoria que vem do alto» (cf. Tgo 3,13-18). Finalmente, apresenta a origem das discórdias que envenenam a vida das comunidades cristãs (cf. Tgo 4,1-10).

  1. O objectivo de São Tiago é purificar a existência cristã para que não se percam os valores que dimanam do Evangelho. Assim, na primeira parte do texto (cf. Tgo 3,16-18), adverte os crentes para que vivam de acordo com a «sabedoria de Deus».
A «sabedoria do mundo» gera inveja, contendas, falsidade (cf. Tgo 3,14), rivalidades, desordem e toda a espécie de más ações (cf. Tgo 3,16). Acaba por destruir a vida da própria pessoa e por impedir a comunhão entre os irmãos. Trata-se de uma «sabedoria» incompatível com as exigências do seguimento de Cristo. Mas não será que, muitas vezes, nos deixamos envolver por esta suposta «sabedoria»? Não será que, muitas vezes, nos consideramos «sábios» quando enganamos os outros? Não será que, muitas vezes, reduzimos a sabedoria à arte de enganar, à astúcia e à esperteza?


Frei Francisco Bezerra do Nascimento
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