Largos, não obsesos

  1. No fundo, Jesus quer curar-nos da «obesidade espiritual», que tantas vezes nos afeta. Ele quer que sejamos largos, mas não obesos. Jesus quer que sejamos largos em relação aos outros e não largos na acumulação de coisas em nós. A largueza de Jesus não nos faz pesados; pelo contrário, torna-nos leves, com uma leveza que nos faz ir ao encontro dos nossos irmãos.
É por isso que Jesus insiste na necessidade de a comunidade cristã ser uma comunidade aberta, acolhedora, tolerante, capaz de aceitar como sinais de Deus o que de bom que acontece neste mundo. Sim, porque neste mundo não acontece só (o) mal. Neste mundo, também acontece muito bem. O bem não é um exclusivo nosso; o bem é mais extenso — e muito mais intenso — do que pensamos. Aliás, por definição, o bem é, em si mesmo, difusivo: alastra, inunda e (saudavelmente) contagia. São João queixa-se de ter encontrado alguém a «expulsar demônios» em nome de Jesus, embora não pertencesse ao grupo dos discípulos (cf. Mc 9, 37). Para ele, isso era um abuso. Achava ele que Jesus era um exclusivo deles.

Mas Jesus não se revê em tal sentimento e em semelhante atitude. A posição dos discípulos mostra arrogância, sectarismo, intransigência e intolerância. Pensavam eles que Jesus era (só) deles. No fundo, julgavam que quem quisesse seguir Jesus tinha de lhes pedir autorização.


Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.
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