Homilia: XXII Domingo do Tempo Comum - Ano B

São Cromácio de Aquileia
Tratado sobre o Evangelho de Mateus
Não é o que entra pela boca do homem o que o torna impuro

Porém, o que diz o Senhor: Não é o que entra pela boca do homem o que o torna impuro, os fariseus não receberam sem escândalo, como Pedro manifesta. Porque outrora Deus havia ordenado por meio de Moisés que nem tudo se utilizasse para alimento, quando declara que algumas coisas são puras e outras impuras.
Porém, há que se indagar por que antigamente foram proibidas por Deus estas coisas ao povo. Pois se todas as coisas que foram criadas por Deus para que usassem como alimento do homem já foram abençoadas desde o princípio, e elas próprias permanecem por sua parte na mesma natureza em que foram constituídas, qual é o motivo de que depois a lei divina prescrevesse ao povo dos judeus se era lícito comer algumas coisas puras, porém ilícito comer outras impuras?
Em primeiro lugar não há dúvida que este tipo de preceitos o Senhor os deu por causa da luxúria do povo judeu e de sua falta de moderação no comer. Pois já que por seu afã pelo alimento e o ventre este mesmo povo havia começado a tornar-se esquecido dos preceitos divinos, fabricando-se um cordeiro no Horeb, pelo que está escrito: O povo se sentou para comer e para beber, e levantaram-se para se divertirem, por isso foram proibidas pelo Senhor estas coisas necessárias, para que, tendo-lhes proibido os melhores alimentos e castigado a intemperança de sua gula, pudessem mais facilmente ser mantidos na disciplina da divina observância.
Ademais, falamos que estas coisas foram proibidas após a transgressão em que se adorou a um bezerro, e a respeito delas foi proferida pelo Senhor esta sentença clemente e moderada, como para condenar a um povo ainda inexperiente.
E por isso lhes foi dito, como lemos: Serão para vós impuros. Não diz “são impuros”, mas “serão”. Não para todos, mas “para vós”, a fim de mostrar claramente que nem mesmo eles eram impuros, nem seriam impuros para outros, mas somente para eles. E realmente mereceram esta proibição de muitos alimentos aqueles que preferiam as carnes do Egito e as abóboras e pepinos ao maná celeste.


Fonte: Lecionário Patrístico Dominical, pp. 456-457.
Homilia: XXII Domingo do Tempo Comum - Ano B Homilia: XXII Domingo do Tempo Comum - Ano B Reviewed by Francisco Nascimento on 19:53 Rating: 5

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