«Cristificar» e não apenas «cristianizar»

  1. É bom que a mensagem de Jesus esteja nos nossos lábios, mas é (muito) melhor que a mensagem de Jesus nunca deixe de estar na nossa vida. E pode até suceder que haja «cristãos de vida» que não sejam sequer «cristãos de língua». Será legítimo afastá-los? Jesus diz claramente que «quem não é contra nós é a nosso favor» (Mc 9, 40). É fundamental que nos habituemos mais a construir pontes do que a erguer muros.
Há, porém, um grande — um enorme — trabalho pela frente. Não basta que nos «cristianizemos»; é urgente que nos «cristifiquemos». Ser cristão não é apenas fazer parte do Cristianismo; ser cristão é, antes de mais e acima de tudo, pertencer a Cristo.

  1. Jesus aparece-nos a instar com os discípulos para que ultrapassem uma visão sectária e egoísta da missão. Segundo Ele, quem luta pela justiça e faz o bem está ao lado de Jesus ainda que, formalmente, não esteja formalmente dentro da estrutura da Igreja. E, às vezes, há momentos em que estar fora — e ajudar os que estão fora — é a melhor maneira de estar dentro. É que o mesmo Jesus, que está cá dentro, também está lá fora.
Que não nos aconteça o que aconteceu à mulher da parábola de Antonhy de Mello. Era uma mulher tão piedosa que fazia questão de não só ir todos os dias à igreja como de ser a primeira a chegar à igreja. Um dia, em que acordou mais tarde, levantou-se a correr e a correr foi pelos caminhos da aldeia não olhando para ninguém. Sucedeu que, ao chegar à igreja, esta estava fechada. À porta, encontrava-se uma inscrição que dizia apenas isto: «Estou lá fora!»


Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.
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