A «EXCULTURAÇÃO DA RELIGIÃO» E A «DESVITALIZAÇÃO DA FÉ»


Em cada dez jovens, nove não têm religião. É o que se passa na República Checa. Na Estônia, os jovens sem religião são oito em cada dez e na Suécia sete. Olhando para a população em geral, os países com maior percentagem de ateus são a Suécia (85%), o Vietname (81%) e a Dinamarca (80%). Seguem-se a Noruega (72%), o Japão (65%) a República Checa (61%), a Finlândia (60%), a França (54%) e a Coreia do Sul (52%).

Isto não significa que o ateísmo seja globalmente muito expressivo. Em cada dez pessoas que há no mundo, não chega a haver duas que se declarem sem fé (16%). Salta, porém, à vista que o ateísmo está a crescer. E já se mostra maioritário em certas zonas da Europa Central e do Pacífico.

Se, entretanto, aos que se assumem descrentes adicionarmos os que se afirmam crentes não praticantes, estes números e percentagens atingirão outra moldura. Em causa já não está apenas a «exculturação da religião», mas também — e cada vez mais — a «desvitalização da fé».

A «exculturação» da religião é tipificada através da perseguição, da hostilidade ou da marginalização. São formas (mais ou menos) compulsivas de tornar irrelevante a religião. Pouca gente fala disso, mas os cristãos são o grupo humano mais perseguido no mundo. Há estudos — como o de Thomas Schirrmacher — que informam que 270 cristãos são assassinados diariamente. Neste momento, há 215 milhões de cristãos (um em cada doze) gravemente expostos à perseguição.

Acresce que esta fenomenologia da perseguição não provém unicamente da descrença. Provém igualmente do extremismo religioso. É espantoso — e deveras arrepiante — notar como muitos crentes são perseguidos por outros crentes. Mas, para lá da eliminação física dos crentes, há que contar com o silenciamento das religiões. No ocidente, que se proclama apólogo da liberdade, a expressão da fé está praticamente confinada ao domínio privado.

Os últimos indicadores, contudo, convocam a nossa atenção para uma situação não menos melindrosa. É que, além de não estar na cultura de alguns povos, a fé também não está na vida de muitas pessoas.

Se a «exculturação da religião» é uma escolha política e uma tendência social, a «desvitalização da fé» parece ser uma opção pessoal. Assim sendo, a «revitalização da fé» tem de despontar como uma urgente prioridade eclesial. É preciso voltar a testemunhar a alegria de crer. A resposta pode não vir de todos. Mas a proposta não pode deixar de chegar a todos.


Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

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