NÃO HÁ LIMITES PARA A PRÁTICA DO BEM


É sabido que o Sábado era uma instituição central para o antigo Povo de Deus. Foi nesse dia que, segundo o Gênesis, Deus concluiu a obra da criação (cf. Gén 2, 2). E concluiu-a criando o descanso. Não é que Deus estivesse cansado. Mas o descanso do sétimo dia é uma oportunidade para Deus contemplar a criação e para a criação contemplar o seu Deus. Por isso — acrescenta o Gênesis — Deus abençoou e santificou esse dia (cf. Gén 2, 3).

Não espanta — tanto mais que o homem é imagem de Deus (cf. Gén 1, 26) — que um dos mandamentos divinos preceitue precisamente a santificação do Sábado: «Lembra-te do dia de Sábado para o santificar» (Êx 20, 8; Deut 5, 12). Em que consiste essa santificação? Fazendo o que Deus fez, ou seja, suspendendo a atividade dos outros dias. «Durante seis dias — diz Deus — hás-de trabalhar e farás tudo o que tiveres a fazer. Mas o sétimo dia é dia de descanso, que pertence ao Senhor, teu Deus. Não farás qualquer trabalho» (Deut 5, 13-14).

O principal está na afirmação de que o Sábado pertence a Deus. Como, aliás, todo o tempo pertence a Deus. O Sábado tem uma função iluminadora — e inspiradora — para cada dia e para todo o tempo. O Sábado é o dia da Criação. É para o Sábado que toda a criação se encaminha. É para a celebração da criação que se orienta o trabalho da criação. A suspensão do trabalho não significa uma opção pela ociosidade. A suspensão do trabalho serve para entregar todo o trabalho nas mãos de Deus. É «o fruto da terra e do trabalho do homem» que Lhe confiamos.

Acontece que, como Jesus tem o cuidado de ressalvar, o Sábado foi feito por Deus para o homem (cf. Mc 2, 27). Isto é, foi feito para que o homem possa celebrar o encontro com Deus. Por aqui se vê como Jesus não interpreta restritivamente o mandamento do Sábado. Deus suspende a atividade habitual, mas sem impor a inatividade. O Sábado não é inativo; é ativo de uma maneira diferente. E, quando se trata de fazer o necessário (como comer) ou de praticar o bem (como curar alguém doente), não há restrições. Como percebeu belamente Santo Ireneu, «a glória de Deus é o homem vivo», isto é, o homem com saúde, com alimento, com habitação, com educação.


Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

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