HÁ CENSURAS QUE SE TORNAM ELOGIOS


Há elogios que deviam ser tomados como censuras e há censuras que poderíamos tomar como elogios. O que os parentes dizem a respeito de Jesus tem o objetivo de constituir uma censura, mas no fundo estão a fazer-Lhe um grande elogio. Alegavam eles que Jesus estava fora de Si (cf. Mc 3, 21). Sem querer, estavam a fazer-Lhe um grande elogio, já que estavam a afirmar uma enorme verdade.

De facto, Jesus viveu sempre «fora de Si». Jesus nunca pensou em Si. O centro de Jesus nunca esteve em Si. Jesus foi alguém — verdadeira e profeticamente — «excêntrico». O centro de Jesus era o Pai e a humanidade. Foi por isso Jesus entregou a Sua vida ao Pai. Foi por isso que Jesus entregou a Sua vida pela humanidade. Eis o que falta, eis o que urge: hoje e aqui, é fundamental estar «fora de si».

O nosso maior problema é quando nos centramos nos nossos problemas. Porque, nessa altura, já nos estamos a distanciar de Jesus. Ao contrário de Jesus, nós vivemos muito voltados para nós. Estamos muito «ego-centrados», muito «ego-sentados». Com efeito, a revolução individualista desencadeou uma cultura egocêntrica e uma mentalidade egolátrica. O «eu» está no centro ou em cima. O outro encontra-se atrás e em baixo.
É o «eu» que está no centro, é ao «eu» que prestamos culto. Só nos ocupamos dos outros quando os outros servem o nosso «eu». É certo que nunca estivemos tão perto dos outros. Mas também é verdade que nunca nos teremos sentido tão distantes dos outros. O mal não é ser diferente. O mal é passar a ser indiferente. Infelizmente, estar perto nem sempre costuma equivaler a ser próximo.


Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

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