DEUS APRECIA O QUE É PEQUENO E NÃO DEPRECIA O QUE PARECE LENTO


Deus responde sempre às nossas necessidades, ainda que nem sempre satisfaça os nossos desejos. Deus, que tudo sabe, sabe perfeitamente que aquilo que desejamos nem sempre corresponde àquilo de que necessitamos e aquilo de que necessitamos nem sempre corresponde àquilo que desejamos.

Por hábito, gostamos do que é grande e do que é rápido. Regra geral, desprezamos o que é pequeno e exasperamo-nos diante do que é lento. Só que, coisa estranha, nem reparamos que andamos cada vez mais depressa e chegamos cada vez mais atrasados. Causa? Queremos fazer tudo, queremos fazer tudo ao mesmo tempo. Enfim, falta-nos um pouco de pausa, um pouco de lentidão. Falta-nos perceber que talvez chegássemos mais depressa se não andássemos tão apressados. E tão penosamente «stressados».

Uma vez mais, Deus mostra, para nosso espanto, o quanto se revê no que é pequeno e no que (nos) parece lento. Nas Suas contínuas instruções, Deus passa o tempo a engrandecer o que é pequeno e a valorizar o que se nos afigura lento. Aliás, a própria vida encarrega-se de demonstrar que há tanta pequenez no que aparenta ser grande e tanta grandeza no que aparenta ser pequeno. Não foi certamente por acaso que Emmanuel Levinas proclamou que «mais alta que a grandeza é a humildade».

Do mesmo modo, aquilo que aparenta caminhar lentamente é, quase sempre, mais seguro do que tantos passos rápidos, mas sem noção do caminho que se segue. O mais importante raramente se compadece com pressas. O mais apressado nem sempre caminha melhor e pode não chegar primeiro. Até pode nem chegar. Deus não nos aconselha obviamente a optar pela indecisão, mas quer alertar-nos para o valor da paciência. Muito pertinente foi, por isso, Bento XVI, que brilhantemente percebeu que «o mundo é redimido pela paciência de Deus e pode ser destruído pela impaciência do homem». Breve já é a vida. Se a abreviamos, ainda mais, pela nossa impaciência, corremos o risco de lhe perder o rasto e de não lhe aspirar o sabor. A impaciência leva-nos a uma espiral de ansiedade diante daquilo que nos falta, não chegando a saborear a riqueza de cada dom que nos vai sendo oferecido.


Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

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