DE JOELHOS PARA ACOLHER E DE PÉ PARA CAMINHAR


Assim sendo, o importante para a Igreja não há-de ser o aparato organizativo, mas a experiência espiritual e a ação social. A Igreja tem de ser perita na relação com Deus e mestra no encontro com os homens. Quando a Igreja se volta demasiado para si ofusca a luz que transporta. Torna-se «lua nova» quando é chamada a ser «lua cheia». Não deixa passar a luz quando se interpõe à frente da luz.

Precisamos não tanto de uma «Igreja sentada», mas de uma «Igreja de joelhos» e de uma «Igreja de pé». Precisamos de uma «Igreja de joelhos» para acolher o mistério de Deus e de uma «Igreja de pé» para caminhar ao lado dos homens.

Até um ateu como André Comte-Sponville assinalou ser a espiritualidade o decisivo na nossa era. E um não crente como Albert Einstein tinha noção de que «a mais bela experiência que podemos fazer é a do misterioso». Karl Rahner percebeu que passava por aqui a sobrevivência do Cristianismo. Neste século XXI, o Cristianismo «será místico ou não será».

Ao mesmo tempo e porque Deus está voltado para o Homem (Jesus é, para nós, o Deus-Homem), a Igreja é chamada a envolver-se em tudo quanto é humano. Não apenas apoiando as vítimas da injustiça, mas questionando as causas da injustiça. É que o amor a Deus não sobrevive sem o amor ao próximo do mesmo modo que o amor ao próximo não vive sem o amor a Deus.


Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

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