A DIFERENÇA ESTÁ NA ACELERAÇÃO


A novidade não é a mudança, mas a aceleração da mudança. Mudanças sempre houve. Mudanças tão aceleradas é que não nos recordamos de ter havido. É verdade que — como notou o poeta — «o mundo é composto de mudança». Mas salta à vista que «já não se muda como soía». Mudando como sempre, estamos a mudar aceleradamente como nunca.

Daí que dificilmente nos apercebamos do que nós próprios realizamos. Foi a humanidade que produziu a técnica. Será que temos consciência de que a técnica está a produzir um novo perfil de humanidade? No rastreio de ganhos e perdas, importa perceber que temos conquistado muito, mas também temos desperdiçado bastante. Como nos acostumámos a conseguir, fomo-nos desabituando de esperar. A rapidez está a retirar-nos paciência e a esvaziar-nos de esperança.

Somos uma «geração apressada» e, por isso, «stressada». Mostramos muita eficácia nos atos, mas pouca lucidez nas decisões. Somos a geração das grandes euforias e, ao mesmo tempo, das prolongadas depressões. Comunicamos cada vez mais sem filtros. Os espaços mediáticos estão cheios de protestos, pejados de murmurações e inundados de rancores. Sobretudo os mais jovens, com a sua espontaneidade, não escondem as suas frustrações nem as suas rebeldias. Não falta, assim, quem qualifique muitos adolescentes como…«aborrecentes».

O mais curioso é que são os mais novos quem melhor se movimenta num mundo desenhado pelos mais velhos. A chamada «geração millennials» (também denominada «geração y») foi apanhada em cheio por uma revolução tecnológica que já estava em marcha. Por sua vez, a «geração z» (que lhe sucedeu) tornou-se a primeira geração de «nativos digitais». Nos tempos que correm, é especialmente nas redes sociais que se estabelecem os contatos pessoais. Só que pouco parece ser sólido. As relações entre as pessoas são instáveis e os trabalhos precários.

Sempre à procura da última novidade, facilmente nos cansamos: das coisas e também das pessoas. São cada vez mais os objetos que arrumamos e as pessoas que descartamos. Contudo, não é por acaso que, segundo a Bíblia, «a sabedoria está nos cabelos brancos e a inteligência na longevidade» (Jb 12, 12). Quem nega que a experiência é uma preciosa fonte de ciência?
Não diabolizemos o que é novo. Mas também não subestimemos o que, vindo do passado, não está ultrapassado. Com todos podemos aprender, enquanto nos for dado viver!


Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

A DIFERENÇA ESTÁ NA ACELERAÇÃO A DIFERENÇA ESTÁ NA ACELERAÇÃO Reviewed by Francisco Nascimento on 14:09 Rating: 5

Nenhum comentário:

Tecnologia do Blogger.