O «VENTO» QUE ABANA E NUNCA ABALA


No dia de Pentecostes, os apóstolos estavam seguramente em oração (cf. At 2, 1). O Espírito vem para animar e fortalecer os apóstolos. Não é em vão, de resto, que Espírito também é entendido, frequentemente, como sinônimo de ânimo, de força. O Espírito desce «por um rumor semelhante a forte rajada de vento» (At 2, 2). O Espírito é, muitas vezes, apresentado como «ruah», como vento: às vezes, em forma de brisa, desta vez em forma de rajada.
Também hoje, precisamos de fortes rajadas de Espírito. Deixemos que o Espírito, também hoje, deposite em nós «línguas de fogo» (At 2, 3) pelas quais possamos aquecer e iluminar as vidas de toda a gente. Precisamos, hoje também, de cristãos «cheios do Espírito Santo» (At 2, 4) que não se cansem de anunciar «as maravilhas de Deus» (At 2, 11). Precisamos, hoje também, de cristãos que exalem o perfume do Espírito e propaguem o sabor do Espírito. Precisamos, hoje também, de cristãos de escuta, de espera e de esperança, que ofereçam ao mundo as incontáveis surpresas de Deus.

A Igreja não é propriedade nossa. Já Santo Inácio de Antioquia notava que o Espírito Santo é o «bispo invisível» que conduz a Igreja. E é por Ele que o impossível se torna possível. Mais do que competência própria do que precisamos é de fidelidade à iniciativa do Espírito de Deus. É que, como percebeu Atenágoras, «sem o Espírito Santo, Deus fica longe,
Cristo permanece no passado, o Evangelho é letra morta, a Igreja é uma simples organização, a autoridade é um simples poder, a missão transforma-se em propaganda, o culto parece uma velharia e o agir cristão uma coisa de escravos». Pelo contrário, «no Espírito Santo, Cristo torna-Se presente, o Evangelho faz-se poder e vida, a Igreja realiza a comunhão trinitária e a autoridade transforma-se em serviço que liberta».
Para que seja o Espírito a agir em nós, deixemo-nos habitar pelos Seus dons: pelo dom da fortaleza, pelo dom da sabedoria, pelo dom da ciência, pelo dom do conselho, pelo dom do entendimento, pelo dom da piedade e pelo dom do temor de Deus. Não fujamos da realidade do mundo, mas procuremos olhá-la e transformá-la a partir do Espírito Santo. O espiritual não é o que se opõe ao real. O espiritual é o que anima e transforma o real. É o Espírito Santo que nos transforma e nos renova. No Espírito Santo, nunca envelhecemos, mesmo que os anos passem. O Espírito é a novidade que torna tudo novo. O Espírito Santo é este vento que abana e nunca abala. Quem está no Espírito Santo nunca fica no chão mesmo que tenha caído. Escutemos a voz do Espírito. Porque o Espírito está sempre a soprar. O Espírito está sempre a surpreender-nos!


Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

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