LAICOS (mas não laicistas) SOMOS TODOS


Na era da conexão, tem sentido insistir na separação? Se as pessoas estão cada vez mais conectadas, como entender que as instituições onde estão as pessoas sobrevivam separadas? A separação entre a Igreja e o Estado é tida como garantia de respeito pela autonomia de cada um. Só que, não raramente, também é pretexto para tornar irrelevante o papel dos crentes na sociedade.

O Estado é laico quando não interfere na religião. Mas torna-se laicista quando pretende controlar na religião. A laicidade é isenta pois não tem uma opção religiosa. Já o laicismo não é imparcial porque assume uma posição irreligiosa.

Num Estado laico, todas as religiões são acolhidas. Num Estado laicista, nenhuma religião é integrada. No Brasil, ninguém se declara laicista. E a Constituição da República nem sequer define o Estado como «laico». Ainda assim, não falta quem, em nome da laicidade, se aproxime do laicismo mais restritivo.
Será que a sobredita separação entre a Igreja e o Estado é incompatível com qualquer cooperação? Será que ela inviabiliza a presença do religioso no espaço público?

Há, entretanto, quem comece a questionar este regime de separação. Foi o que aconteceu numa recente — e corajosa — intervenção do Presidente da República da França. Este, sim, é um país que, na sua Constituição, se identifica como «laico».

Não obstante, para Emmanuel Macron é tempo de repensar a separação e de repor os vínculos entre o Estado e a Igreja.
À laicidade não cabe «negar o espiritual em nome do temporal». Não pode promover «uma religião de Estado que substitua a transcendência divina por um credo republicano».

Assim sendo, «a República não pede a ninguém que esqueça a sua fé». Pedirá até aos crentes que expressem publicamente o que dimana da sua fé.
Concretamente, aos católicos pede três dons: «o dom da sabedoria, o dom do compromisso e o dom da liberdade». E a primeira liberdade que a Igreja «pode oferecer é a liberdade de importunar». Todos os cidadãos «têm necessidade de uma outra perspectiva sobre o homem, além da perspectiva material. Precisam de matar uma outra sede: a sede de absoluto».
Macron compreendeu que, no fundo, os crentes também são «laicos» no sentido de que também pertencem ao «laos», ou seja, ao povo. No «laos» — isto é, no povo — tem de haver lugar para todos. E se nem todos são religiosos, todos estamos religados. Quem não se sente religado a Deus não deixará de se sentir religado aos que crêem em Deus. Acolhê-los é um ato de justiça. E escutá-los será sempre um sinal de maturidade e lucidez!




Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.
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