NO FILHO, DEUS SOFRE COM TODOS OS SEUS FILHOS


Daí que o abandono não traduza uma ausência, mas uma presença silenciosa. O que Deus nos quer dizer é que nós não estamos abandonados porque nos entregou o Seu próprio Filho (cf. Jo 3, 16). Se quem vê o Filho, vê o Pai (cf. Jo 14, 6) e se o Filho e o Pai são um só (cf. Jo 10, 30), então o Pai sofre o sofrimento do Seu Filho. A Sua presença é silenciosa, mas não é passiva. Trata-se, acima de tudo, de uma presença compassiva.
Como bem percebeu São Bernardo, «Deus é impassível, mas não é incompassível». Dizer que Deus é impassível significa afirmar que Deus não está sujeito a padecer. Dizer que Deus não é incompassível implica reconhecer que Deus não é incapaz de Se compadecer (cf. Heb 4, 15).

No Filho, Deus sofre com todos nós, Seus filhos. Hans Urs von Balthasar nota que Deus até «sofre bem mais do que nós e não deixará de sofrer enquanto houver sofrimento no mundo». Deus pode tudo que até pode sofrer por nós.
Eis o que de mais comovente nos chega da Cruz: o amor apaixonado de Deus pelo homem. Eis o que nós mais devemos aprender na Cruz: se Deus ama assim a humanidade, como é que nós não havemos de amar cada ser humano? Arrumemos, pois, a nossa «casa». Se for caso disso, deitemos tudo fora. Fiquemos apenas — e sempre — com o amor. É o amor que nos há-de salvar!


Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

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