JESUS GRITA PERANTE O SILÊNCIO DE DEUS


É sabido que, não obstante a Sua condição divina (cf. Fil 2, 6), não foi fácil a Jesus aceitar a morte. No Getsémani, pediu ao Pai para que, se fosse possível, O afastasse daquela hora. No entanto, ressalvou de imediato que se fizesse a vontade do Pai; não a Sua (cf. Mc 14, 36).
Ou seja, Jesus não fugiu da Cruz, mas sofreu intensamente o que aconteceu na Cruz. São Marcos diz-nos que, antes de morrer, Jesus soltou dois grandes gritos (cf. Mc 15, 34. 37): um imediatamente antes de morrer e outro um pouco antes.

Por tudo isto, se quisermos olhar para a Paixão de um modo global, temos de prestar atenção quer aos silêncios, quer aos gritos. Daí que uma «teologia do grito» seja tão necessária como uma «teologia do silêncio».
Sintomaticamente, o primeiro dos dois gritos de Jesus na Cruz é para questionar o silêncio: o silêncio de Deus. É voltado para Deus que Jesus grita: «Meu Deus, Meu Deus, porque Me abandonaste» (Mc 15, 34)? É aqui que tudo para: param sobretudo as explicações. Se já é difícil perceber que o Filho de Deus possa sofrer, parece completamente incompreensível que Deus possa ter abandonado o Seu Filho.


Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

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