A RESSURREIÇÃO NÃO APAGA A CRUZ


Na Segunda Leitura, São Paulo propõe-nos uma conversão à lógica de Deus, que é a lógica da Cruz. Na Cruz, tudo se desfaz e tudo se refaz. Desfaz-se uma lógica meramente proporcional, que leva a compensar quem faz bem e a castigar quem faz mal. Na Cruz, Deus ensina-nos a nunca fazermos o mal: nem a quem nos faz bem [o que seria inconcebível, mas acontece] nem a quem nos faz mal.
Deus envia o Seu Filho para dar a vida por todos, bons e maus. Isto é considerado loucura («moría) e até demência («manía»), como nos vai dizer, mais tarde, São Justino.

A lógica de Deus é a lógica do amor incondicional, do amor desmedido. Muitos acharão que tudo isto é louco, mas é esta loucura que nos salva. Daí que alguns, em tempos, apregoassem: «Por Cristo me tornei louco para que menos tolo seja o mundo»!
Esta loucura é mais sábia que toda a sabedoria e esta fraqueza é mais forte que toda a força (cf. 1Cor 1, 25). É por isso que, ao celebrar a Ressurreição, o nosso símbolo continua a ser — loucamente! — a Cruz. A Ressurreição não apaga a Cruz; dá sentido à Cruz. Aquele que volta à vida é o mesmo que deu a vida. A Cruz está sempre a ensinar-nos que é quando mais damos que mais temos. A Cruz está sempre a mostrar-nos que venceremos sempre se dermos tudo, se nos dermos inteiramente!

Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

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