A OFERTA MAIOR DE UM AMOR TOTAL


Tal como sucede no Terceiro Domingo do Advento, o Quarto Domingo da Quaresma é conhecido como o «Domingo da Alegria». Neste caso, recebe o nome de «Domingo Laetare», imperativo do verbo latino «laetor» que significa «alegrar-se». Portanto, «laetare quer dizer «alegra-te». É Deus que faz este convite. Que cada um de nós se alegre, pois: não por causa de alguma fortuna, mas por saber que Deus nos visita. Haverá fortuna maior? Haverá sequer fortuna igual?
Que fortuna pode ser comparada ao amor de Deus e ao Deus amor? Jesus garante a Nicodemos que «Deus amou de tal modo o mundo que entregou o Seu Filho único, para que todo o homem que acredita n’Ele não se perca, mas tenha a vida eterna» (Jo 3, 16). Tocamos aqui o ápice da história da revelação, da história da salvação e, nessa medida, da história da humanidade. Segundo alguns peritos, esta passagem é a chave do inteiro Evangelho de São João. Ou seja, é nesta afirmação que entendemos tudo o que está escrito neste livro e, mais vastamente, em toda a Sagrada Escritura.

O que está escrito neste livro é o que deve estar permanentemente inscrito na nossa vida. No fundo, é isto que importa anunciar, é isto o que todos devem saber: que Deus nos ama. Acresce que não ama de qualquer maneira. Em Deus, o amor não é uma palavra vã nem um sentimento vago. Se repararmos, nesta frase há uma fortíssima proximidade entre o verbo «amar» e o verbo «entregar». Isto significa que, ao contrário do que se pensa, «amar» não é sinónimo de «possuir», mas de «entregar». Para Deus, a vivência do amor não está na posse, mas na dádiva. Deus ama-nos de tal modo que nos dá o melhor que tem: o Seu Filho.
Esta, aliás, é a primeira vez que, no Evangelho de São João, aparece uma referência ao Filho. É que a entrega do Filho é a oferta maior, que só pode vir de um amor total. É preciso ser Deus para amar assim o homem. Tão abismado ficou São João que, na sua Primeira Carta, proclamou que «Deus é amor» (1Jo 4, 8.16). Repare-se. Deus não tem amor, Deus é amor. Nós, humanos, temos amor e também temos desamor, também temos ódio. Deus não. Deus é amor. François Varillon fez até questão de precisar que «Deus não é senão amor».

Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

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