Homilia: II Domingo da Quaresma - Ano B

Santo Ambrósio
Sermão sobre o Salmo 45
“Somente Jesus é a luz verdadeira e eterna”

Foi o próprio Senhor Jesus que quis que Moisés subisse a montanha sozinho para receber a Lei, mas ele foi acompanhado por Josué. E no Evangelho, dos seus discípulos somente a Pedro, Tiago e João lhes foi revelada a glória de sua ressurreição. Desta forma, quis manter oculto seu mistério, e recomendava com frequência que não revelassem com facilidade a ninguém sobre o que haviam visto, a fim de que as pessoas fracas e de caráter vacilante, incapazes de assimilar a virtualidade dos sacramentos, não sofressem nenhum escândalo.
Além do mais, o próprio Pedro não sabia o que dizia, quando pensou que deveria erguer três tendas para o Senhor e para os seus servos. Em seguida, foi incapaz de resistir ao fulgor da glória do Senhor, que o transfigurava, e caiu em terra juntamente com os “filhos do trovão”, Tiago e João. Uma nuvem os encobriu com sua sombra, e não foram capazes de levantar-se enquanto Jesus não se aproximou e os tocou, ordenando-lhes que se levantassem, e não tivessem medo.
Entraram na nuvem para conhecer coisas arcanas e ocultas, e ali ouviram a voz de Deus que dizia: Este é o meu Filho amado, escutai-o. O que significa: Este é meu Filho amado? Significa isto: Não se engane, Simão, pensando que o Filho de Deus pode ser comparado aos seus servos! Este é meu Filho, nem Moisés é meu Filho nem Elias, ainda que um tenha dividido o mar em duas partes e o outro tenha fechado o céu. Porém, se é certo que ambos venceram a natureza dos elementos, foi com a força da Palavra de Deus, da qual eram simples instrumentos; por outro lado, este (Jesus) é o que firmou as águas, fechou o céu com a seca e, quando quis, o abriu enviando a chuva.
Quando se requer um testemunho da ressurreição, é apropriado os serviços dos servos; quando se manifesta a glória do Senhor ressuscitado, desaparece o esplendor dos servos. De fato, quando o sol se levanta, neutraliza os focos das estrelas, e toda sua luz se desvanece frente ao astro do dia. Como, pois, poderia se enxergar as estrelas humanas à plena luz do eterno Sol de justiça, e daquele divino fulgor? Onde estão agora aquelas luzes que milagrosamente brilhavam diante de vossos olhos? O universo inteiro é pura treva em comparação com a luz eterna. Que outros busquem agradar a Deus com os seus serviços: somente ele é a luz verdadeira e eterna, na qual o Pai deposita suas complacências. Também eu encontro nele minhas complacências, considerando como meu tudo o que ele fez, e aspirando a que tudo o que eu fiz se considere realmente como obra do Filho. Escutai-o quando diz: Eu e o Pai somos um. Não disse: Eu e Moisés somos um. Nem disse que ele e Elias era partícipes da mesma glória divina. Por que quereis construir três tendas? A tenda de Jesus não está na terra, mas no céu. O ouviram os apóstolos, e caíram no chão apavorados. Aproximou-se o Senhor, lhes disse para levantarem-se e lhes ordenou que não contassem a ninguém a visão.


Fonte: Lecionário Patrístico Dominical, pp. 311-313.
Homilia: II Domingo da Quaresma - Ano B Homilia: II Domingo da Quaresma - Ano B Reviewed by Francisco Nascimento on 17:08 Rating: 5

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