EVANGELIZAR SEM PARAR


É de «maneira gratuita» (1Cor 9, 18) que o Evangelho deve ser anunciado. Aliás, também foi de maneira gratuita que o Evangelho nos foi entregue. Esta gratuidade vai ao ponto de o evangelizador aceitar ser escravo de todos com o objetivo de a todos tentar ganhar para o Evangelho (cf. 1Cor 9, 19). A «causa do Evangelho» (1Cor 9, 23) justifica tudo: todos os trabalhos, todos os sacrifícios. A resposta pode não vir de todos, mas a proposta tem de chegar a todos. É por isso que, com vontade firme e coração aberto, o evangelizador tem de se fazer «tudo para todos» (1Cor 9, 22).
Neste empreendimento, São Paulo parecia nunca se cansar mesmo quando se sentia cansado. Como reconheceu São João Crisóstomo, por causa do Evangelho, Paulo «desejava sempre mais o trabalho sem descanso do que nós desejamos o descanso depois do trabalho». Aliás, foi o que São Paulo aprendera com Jesus, o Evangelho em pessoa. Jesus também não descansa: «Meu Pai trabalha continuamente e Eu também trabalho» (Jo 5, 17). Jesus não trabalha de sol a sol, mas de noite a noite. Jesus trabalha de dia e não Se poupa de noite.

Neste Domingo, voltamos a acompanhar Jesus na «Jornada de Cafarnaum». Vemo-Lo, incansável, a sair da sinagoga para ir curar a sogra de Simão e todos os doentes que Lhe apareciam (cf. Mc 1, 31-34). Teve de atender toda a população da cidade, que se reuniu junto da porta da casa de Pedro (cf. Mc 1, 33).
A população de Cafarnaum naquela altura andaria por mil habitantes. Atender mil pessoas é, seguramente, desgastante. Apesar disso, na manhã seguinte, Jesus não dispensou a oração. O encontro com os homens não dispensa — antes requer — o encontro com Deus. E é assim que contemplamos Jesus a orar, «de manhãzinha, ainda muito escuro», num «sítio muito ermo» (Mc 1, 35).


Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

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