CURAR É SALVAR, SALVAR É CURAR



Não é por acaso que, na Bíblia, o verbo que significa curar («sozô») também significa salvar. Do mesmo modo, o latim «salus» tanto significa saúde como salvação. E a experiência confirma que, quando se vêem livre de uma doença grave, as pessoas não dizem «Aquele médico curou-me», mas «Aquele médico salvou-me». De facto, curar é salvar e salvar é curar. A cura é salvação e a salvação é cura, a definitiva cura.
Não é, pois, em vão que o Evangelho coloca a cura de um leproso nos começos da missão pública de Jesus. A lepra era não só um facto, mas também um sinal. Além de uma doença, a lepra era um estigma que acarretava exclusão. O Evangelho quer mostrar que Jesus vem para incluir os que estão excluídos, atraindo para o centro os que são atirados para as margens.

Tenhamos em conta que, naquela altura, a lepra era uma doença incurável e, ainda por cima, contagiosa. O leproso era privado do convívio com as outras pessoas sendo remetido para um lugar isolado. Como ouvimos na Primeira Leitura, o leproso tinha de usar «vestuário andrajoso» e «cabelo desalinhado». Era obrigado a gritar: «Impuro, impuro». Era como impuro que costumava ser visto pelos outros (cf. Lev 13, 44-46).
Se um leproso viesse ao encontro das outras pessoas, teria de tocar um sino, para se fazer anunciar e, assim, manter as distâncias. Podemos dizer que se tratava de uma espécie de morte antes da morte. A lepra era uma morte antecipada. No caso — muitíssimo raro — de um leproso se curar, teria de ir ao Templo de Jerusalém para se mostrar ao sacerdote, que o examinava e lhe permitia voltar a conviver com qualquer pessoa. Foi por isso que Jesus, que conhecia as apertadas normas do Judaísmo, determinou que este leproso, agora curado, se fosse apresentar ao sacerdote (cf. Mc 1, 44).



Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

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