AINDA NÃO PODEMOS VÊ-LO, MAS JÁ PODEMOS ESCUTÁ-LO


Não é por acaso que a voz de Deus se faz ouvir através de uma nuvem. A nuvem é o que não deixa ver ou não deixa ver bem. A nuvem é, por isso, o que nos faz sentir que não sabemos tudo e que nem sequer sabemos o bastante. Mas se a nuvem nos impede de ver com nitidez, não nos impede de escutar com atenção. É da nuvem que o Pai fala (cf. Mc 9, 7). É na nuvem que devemos escutar o Pai que fala. Enfim, não devemos andar nas nuvens, mas devemos escutar o se diz na nuvem.
Na Sagrada Escritura, Deus surge, muitas vezes, através das nuvens. É natural que, ao olhar para uma nuvem, só reparemos na obscuridade, no cinzento ou em tons ainda mais carregados. Era bom que nos habituássemos a estar atentos também à sua leveza e à sua subtileza. A grande luz é a que nos vem de além das nuvens, não a que se enxerga imediatamente para cá das nuvens.

É preciso ter em conta que, segundo a Bíblia, a presença de Deus está envolvida por «nuvens e trevas» (cf. Sal 97, 2). Como bem frisou Karl Rahner, nem a palavra Deus é adequada para dizer Deus. A própria palavra Deus é uma criação humana.
Por conseguinte, quando falamos sobre Deus, falamos habitualmente do que os seres humanos têm dito sobre Deus. Alguém pode garantir que tal dizer sobre Deus corresponde cabalmente ao ser de Deus? Santo Agostinho não alimentava ilusões: «Por mais altos que sejam os voos do pensamento sobre Deus, Ele está sempre mais além».

Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

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