UM DIA PARA JESUS, UM DIA COM MARIA

Começamos cada ano com os ouvidos a captar os ecos do Natal. Aliás, hoje ainda é Dia de Natal. Como sabemos, cada dia tem 24 horas. Mas há um dia — em Outubro — com 25 e outro dia — em Março — com 23 horas. E, depois, há o dia de Páscoa e estedia de Natal, com 192 horas. Não é engano, é a verdade. O Natal, como a Páscoa, é um dia com 192 horas. É um dia que se estende por oito dias, até ao hoje, 01 de Janeiro. A este dia com oito dias chama-se Oitava. É por isso que o Natal não «foi», o Natal «é», o Natal continua a ser. Em suma, o Natal nunca deixa de ser. É por isso que nunca deveríamos perguntar, como certamente perguntamos nos últimos dias, «Como foi o teu Natal?» ou «Como foi esse Natal?». É que, de facto, o Natal não «foi», o Natal «é», o Natal nunca deixa de ser. O Natal é uma manhã sem ocaso, é um começo sem fim.
Como acabamos de escutar, foi na Oitava do Natal — ou seja, oito dias após o Seu nascimento — que o Menino recebeu o nome de Jesus (cf. Lc 2, 21). Daí que, durante muitos anos, este fosse também o dia da festa do Santíssimo Nome de Jesus. Entretanto, o Tempo Litúrgico do Natal não acaba nesta Oitava. Ele só termina com a festa do Batismo do Senhor, que este ano ocorrerá a 08 de Janeiro. Mas, no fundo, é sempre tempo de Natal. O Natal está no tempo para que possa estar na vida, para que possa estar na nossa vida no tempo.

É, então, a Jesus que entregamos este nosso novo percurso no tempo, que queremos percorrer também na companhia de Maria, que tudo — e a todos — guarda em Seu coração (cf. Lc 2, 19). Com D. António Couto, saudámo-La, hoje, como «Senhora e Mãe de Janeiro, do Dia Primeiro e do Ano inteiro». Diante d’Ela nos sentimos «tão cheios de coisas e tão vazios de nós mesmos e de humanidade e divindade» Apesar de nos faltar muita coisa, ainda temos bastante. Falta-nos, porém, o essencial: «a simplicidade e a alegria» de Maria. Mas Maria está conosco, está conosco como Mãe.
Hoje ocorre a solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus. Sendo Mãe de Cristo e sendo Cristo o Filho de Deus, os cristãos cedo perceberam que Maria era Mãe de Deus. Não era só Mãe do homem Jesus, mas Mãe do Filho de Deus que encarnou em Jesus. O Concílio de Éfeso oficializou esta doutrina em 431. S. Cirilo de Alexandria já tinha tornado tudo muito claro: «Se Nosso Senhor Jesus Cristo é Deus e se a Virgem Santa O deu à luz, então Ela tornou-Se a Mãe de Deus».



Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.
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