PARA ESTAR NO MUNDO, A PAZ TEM DE ESTAR EM CADA PESSOA

O hebraico «shalom» contém muito mais. A paz, aqui, é anterior a qualquer esforço humano. É um dom de Deus que faz o homem sentir-se completo, integral. É por isso que a paz só estará no mundo se estiver em cada pessoa que há no mundo. Antes da negociação, é fundamental pugnar pela conversão à paz. Jesus, no Sermão da Montanha, considera felizes os construtores da paz. Só eles serão «chamados filhos de Deus»(Mt 5, 9).
Importa perceber que o primeiro sinal de Deus é a paz. Quando Deus vem à terra em forma de criança, os enviados celestes entoam um cântico que diz tudo: «Glória a Deus nas alturas e paz na terra» (Lc 2, 14). A paz desponta, assim, como o grande indicador de que Deus já está entre nós.

Desde 1968, o dia de ano novo tornou-se também o Dia Mundial da Paz. Pretendia Paulo VI colher inspiração na invocação que, neste dia, se faz de Jesus e de Maria: «Estas santas e suaves comemorações devem projectar a sua luz de bondade, de sabedoria e de esperança sobre o modo de pedirmos, de meditarmos e de promovermos o grande e desejado dom da paz, de que o mundo tem tanta necessidade». Com aquele grande Papa, pedimos para que «seja a paz, com o seu justo e benéfico equilíbrio, a dominar o processamento da história no futuro».
Para 2018, assinalando o 51º Dia Mundial da Paz, o Papa Francisco propõe um tema de suma pertinência: «Migrantes e refugiados, homens e mulheres em busca de paz». Não esqueçamos que a Sagrada Família também experimentou o desterro. Jesus, Maria e José também foram refugiados. É por isso que não podemos ser indiferentes à situação dos mais de 22 milhões de refugiados que há no mundo. Do mesmo modo, temos de olhar para os 250 milhões de migrantes espalhados pela terra. Muitos deles são portugueses. Ninguém pode ser considerado estrangeiro. Deus não entregou uma pátria aos seus cidadãos; Deus entregou a terra (toda a terra) aos homens (a todos os homens). Neste sentido e como recomenda o Santo Padre, é urgente que saibamos acolher, proteger, promover e integrar todas pessoas. Venham donde vierem, são nossos irmãos.


Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.
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