MUDAR (TAMBÉM) É PARA NÓS

O anúncio do Reino de Deus é uma notícia que tem de ter consequências. A maior de todas elas é a mudança de vida: «Convertei-vos e acreditai no Evangelho» (Mc 1,15). Trata-se de um imperativo inadiável, selado em tons de urgência. A conversão não pode esperar; tem de ser para já, para agora. Tanto mais que, como se depreende da anotação de São Paulo, «o tempo é breve» (1Cor 7, 29).
Este apelo de Jesus pressupõe que há muito a mudar na nossa vida. Se tudo estivesse bem, para quê mudar, para quê convertermo-nos? Habitualmente — e quase por instinto —, propendemos a achar que a mudança é para os outros. É verdade que os outros têm de mudar. Mas será que nós poderemos continuar na mesma?

Nós também temos de mudar. Temos de mudar e não apenas por fora. Uma mudança só é profunda quando vem do fundo: do fundo da alma, do fundo da vida. Foi essa a voz interior que se fez ouvir em Roger Schutz quando, perante a devastação da Segunda Guerra Mundial, se interrogava sobre o que era preciso mudar para que aquele horror não se repetisse. «Começa por ti», foi o que escutou.
Deus não deixa ninguém de fora deste apelo à conversão. Podemos mesmo dizer que Ele é o Deus das «novas oportunidades», o Deus de «todas as oportunidades». As primeiras leituras falam-nos de duas cidades (Nínive e Corinto) onde a corrupção moral era grande. Mesmo assim, Deus não desiste, Deus insiste. Através de Jonas, Deus chama os habitantes de Nínive à conversão. Através de Paulo, o mesmo Deus convida os habitantes de Corinto à mudança.


Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.
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