Homilia: Festa do Batismo do Senhor - Ano B

São Máximo de Turim
Sermão 45
O Natal e o Batismo de Cristo são meu mistério e minha salvação

Hoje saiu para o mundo o verdadeiro sol, hoje nas trevas do século surgiu a luz. Deus se fez homem para que o homem chegue a ser Deus; o Senhor assumiu a forma de escravo para que o servo se converta em Senhor; o morador e Criador dos céus habitou na terra para que o homem, povoador da terra, possa emigrar aos céus.
Ó dia mais luminoso que qualquer sol! Ó momento mais esperado de todos os séculos! O que ansiavam os anjos, o que nem serafins nem querubins nem coros celestiais conheceram, isto é o que se revelou em nossos dias; o que eles viam como em um espelho e mediante imagens, nós o contemplamos em sua própria realidade. Aquele que falou ao povo de Israel pela boca de Isaías, Jeremias e demais profetas, agora nos fala por seu Filho. Que diferença entre o Antigo e o Novo Testamento! No Antigo, Deus falava através da nuvem, a nós nos fala abertamente; ali Deus se mostrava na sarça, aqui Deus nasce da Virgem; ali era o fogo que consumia os pecados do povo, aqui é um homem o que perdoa os pecados do povo, ou melhor, é o Senhor que perdoa a seus servos, pois ninguém, a não ser Deus, pode perdoar pecados.
Tanto se o Senhor Jesus nasceu hoje ou se hoje é o dia de seu batismo – existem a respeito opiniões diversas e podemos aderir àquela que nos pareça melhor -, uma coisa é clara: seja hoje o dia que nasceu da Virgem, seja hoje o dia que renasceu no batismo, se nascimento, na carne e no espírito, é em nosso proveito: ambos os mistérios são meus, minha é a utilidade que redunda deles. O Filho de Deus não tinha necessidade nem de nascer nem de ser batizado, pois não tinha cometido pecado para que se lhe perdoasse no batismo. Porém, sua humildade é nossa sublimidade, sua cruz é nossa vitória, seu patíbulo é nosso triunfo.
Coloquemos alegres este sinal sobre nossos ombros, levantemos o estandarte da vitória ainda mais: gravemos este lábaro em nossas frontes. Quando o diabo vir este sinal na padieira de nossas portas, se estremecerá, e os que não temem os dourados capitólios, temem a cruz; os que não se retraem diante dos cetros reais, a púrpura e o fausto dos césares, põem-se a tremer ante as macerações e os jejuns dos cristãos.
Alegremo-nos, pois, caríssimos irmãos, e elevemos ao céu em forma de cruz as mãos puras. Enquanto Moisés mantinha as mãos no alto, vencia Israel; enquanto as abaixava vencia Amalec. As próprias aves quando se elevam para as alturas e planam no ar com as asas estendidas imitam a cruz. E as próprias cruzes artísticas são verdadeiros troféus e despojos de guerra, cruzes que devemos levar não somente nas frontes, mas também em nossas almas, para que, armados desta forma, caminhemos entre áspides e víboras em Cristo Jesus, a quem se deve a glória pelos séculos dos séculos.



Fonte: Lecionário Patrístico Dominical, pp. 303-304

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