E A COMUNHÃO COM OS AUSENTES E DISCREPANTES?


A Igreja é comunhão, embora nem sempre se note verdadeira comunhão dentro da Igreja. Não basta, com efeito, exaltar a comunhão. É urgente fazer tudo para nunca ferir a comunhão e para estar sempre em comunhão.

Muito forte é a tentação para distorcer e para encolher a comunhão. Distorcemos a comunhão quando a identificamos apenas como uma obrigação dos outros, esquecendo que ela é igualmente um dever nosso. E encolhemos a comunhão quando a circunscrevemos ao nosso movimento, à nossa espiritualidade.

Pode acontecer que, falando de comunhão, estejamos unicamente a reclamar comunhão dos outros para conosco. Que esforço de comunhão existirá da nossa parte para com os outros? Os outros podem não mostrar muita comunhão para conosco. Mas será que nós mostramos muita comunhão para com os outros? Afinal, até onde vai a nossa comunhão?

É estimável que cultivemos a comunhão dentro do nosso grupo. Mas que gestos de comunhão estamos dispostos a oferecer aos grupos diferentes? A comunhão terá de ser apenas com os consensuantes? Não deverá ser também — e ainda mais — com os discrepantes?

Costumamos fazer sobressair a comunhão para com os que já estão presentes. Mas que disponibilidade temos para dar passos de comunhão em direção àqueles que se mantêm ausentes? Será que os ausentes estão condenados a permanecer à margem da comunhão? E se eles não estão em comunhão conosco, será que nós devemos neutralizar toda e qualquer comunhão para com eles? Que ganham os ausentes com palavras que os censurem? Não precisarão, antes, de uma mão que se lhes estenda?

A atitude «de saída», tão recomendada pelo Papa Francisco, autorizar-nos-á a verberar quem não está em sintonia com o nosso grupo? Que fazemos para nos aproximarmos de grupos diferentes?

Ainda estamos muito ancorados nos nossos «quintais». Ainda teimamos em confundir as nossas «capelas» particulares com a universal Igreja de Jesus Cristo. Aprendamos com o Seu «know-how» eclesial. Jesus é o maior perito em comunhão. Ele não coloca ninguém de lado. Vai mesmo ao ponto de deixar quem já está dentro para ir ao encontro dos que ainda estão perdidos, lá fora (cf. Lc 15, 4-7). Estaremos prontos, como Ele, para bater a todas as portas (cf. Ap 3, 20)?


Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

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