DEUS TAMBÉM É PEREGRINO DO HOMEM

Deus vem. Deus fala. Deus permanece. Vem, fala e permanece desde o princípio. Deus, em Si mesmo, é um mistério de presença, de comunicação e de encontro. É certo que esta clareza nem sempre anula toda a obscuridade. Nem sempre estamos em nós quando Deus vem até nós. Ou talvez estejamos demasiado em nós quando Ele vem até nós.
Muito se tem falado, nos últimos tempos, no silêncio de Deus. São, de facto, muitas as vezes em que Deus está em silêncio. Mas isso não quer dizer que Deus não fale. Deus fala, quase sempre, em silêncio. Pelo que só em silêncio poderemos escutá-Lo. O problema não é, pois, Deus ser silencioso. O problema é Deus estar a ser (por nós) silenciado.

A contínua atenção de Deus esbarra, quase sempre, com a permanente desatenção do homem. O nosso Deus é um «Deus falante» e, mais concretamente, um «Deus chamante». Deus vem sempre ao nosso encontro e nunca deixa de nos interpelar.
Deus vem quando estamos acordados e vem — ainda mais — para nos acordar quando, como sucedeu a Samuel, estamos a dormir (cf. 1Sam 5, 3). Deus é o despertador da sonolência em que, tantas vezes, nos deixamos cair. Quando procuramos Deus, verificamos que já Deus nos tinha procurado. Quando vamos ao encontro de Deus, notamos que já Deus nos tinha encontrado. No fundo, não é apenas o homem que se torna peregrino de Deus. Deus também Se torna peregrino do homem.



Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.
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