O DIA MAIS IMPORTANTE PARA A FAMÍLIA

Vou confiar-vos um segredo. O segredo para que uma família se fortaleça consiste em valorizar cada pessoa e cada momento da convivência entre as pessoas. O dia mais importante para a família não é só o dia do casamento. Esse foi o dia do início da família. Mas a família não tem importância só quando começa. Uma família é sempre importante. Por isso, o dia mais importante para a família é «hoje», o «hoje» de cada dia. Eu atrever-me-ia a dizer que nem a morte põe fim à família, nem a morte termina com os laços gerados em família. Um filho que vê morrer o seu pai considera-se sempre filho desse pai. E uma mãe que vê morrer a sua filha não se considera sempre mãe daquela filha?
Queridas famílias, valorizai o dom de cada dia. Ao acordar pela manhã, dizei uns aos outros: «Hoje é o dia mais importante da nossa vida». E, no dia seguinte, voltai a dizer: «Hoje é o dia mais importante para a nossa família».

Em cada hoje, há coisas pequenas que podem ter um resultado muito grande. Procurai dar valor aos pequenos gestos, às pequenas palavras e até aos pequenos silêncios. Sim, a família é o espaço por excelência do diálogo, mas também deve ser um lugar privilegiado para o silêncio. Como reconheceu Paulo VI, a Sagrada Família de Nazaré oferece-nos uma interpelante lição de silêncio. Às vezes, ficar calado pode ajudar muito. Pelo menos, pode ajudar a não agravar certos problemas. Há palavras que não só não resolvem como ainda complicam. Há palavras que magoam e que chegam a agredir mais do que certas agressões. Perante alguém que diz muito e muito alto, não dizer nada pode ser o melhor contributo para restaurar a paz e repor a serenidade.
Todos gostam de ter razão, mas eu diria com S. Paulo que mais importante do que ter razão é ter «bondade, humildade, mansidão e paciência»(Col 3, 12). Quando tivermos de falar, não nos limitemos a repreender e a exigir. Procuremos saber também agradecer e elogiar. Como tem dito o Papa Francisco, expressões simples como «obrigado», «com licença», «faça o favor» ou «desculpe» podem ter um efeito extraordinário para o presente e para o futuro da família. Pedir perdão não é um ato de fraqueza. É uma demonstração de força que acaba por fortalecer a família.



Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

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