NATAL EM MODO CARNAVAL?

Que lugar estamos a dar ao silêncio? Era bom que, entre nós, também pairasse algum silêncio (até) para podermos escutar o grande silêncio de Belém. De facto, tão simples — e tão belo — é escutar. Mas é cada vez mais raro calar. Nestes dias de agitação, parece que já espatifamos o silêncio da meditação. Desaprendemos totalmente de ouvir e já mal sabemos calar.

Acontece que a palavra é tão preciosa que nunca deveríamos desperdiçá-la. A palavra não é só para usar. Deveria ser também — e bastante — para guardar. Se as palavras estão constantemente a sair de nós, que se pode, de relevante, encontrar em nós? Só a palavra que não é banalizada merece atenção cuidada. O problema é que, nesta vida tão intensa, o silêncio não goza de boa imprensa. Só se fala de quem fala. Quem fala de quem (se) cala? Para muitos, calar é não ser, é quase não existir.

Como vamos, então, chegar ao Natal? Com o estômago cheio e a alma vazia? Será que temos o direito de alterar o Natal? O Natal é que nos devia alterar, a nós. Deus enviou o Seu Filho, não para que tudo continue na mesma, mas para que tudo seja diferente.

O Natal é o dia em que nunca anoitece. No Natal, até de noite é dia. O Natal é o dia em que a luz nunca escurece e em que até a escuridão parece brilhar. É o dia em que o céu desce à terra e a terra sobe ao céu. É o dia em que os extremos se tocam e os contrários se abraçam. É o dia em que «o lobo habita com o cordeiro» (Is 11, 6); em que até «a criança de peito brinca na toca da víbora» (Is 11, 8). É o dia em que os poderosos não mandam. É o dia em que um «menino nos conduz» (Is 11, 6).



Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

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