NÃO PASSEMOS AO LADO DO NATAL


A imagem do Menino está ali. Mas o Menino da imagem está sobretudo aqui. Vejo Jesus agora e não deixo de O rever lá fora. Ele está na rua, na minha história e também na sua. Está no sofredor, naquele que estende a mão e mendiga amor. Está no pobre, no que não tem pão. Está em quantos vão penando na solidão. O Seu tempo nunca é distante pois a Sua presença é constante. O Seu lugar não é só em Belém, é na nossa vida também. Ouçamos sempre a Sua voz. E nunca deixemos de O acolher em cada um de nós.

Este é o autêntico «dia inicial inteiro e limpo, onde emergimos da noite e do silêncio e, livres, habitamos a substância do tempo». Sophia tem mesmo razão: «A casa de Deus está assente no chão». Em Jesus, Ele veio para todos. Rejeitar alguém é rejeitar este Jesus, presente nesse alguém. É que os outros também são Seus, também são d’Ele. E, no entanto, há tanto Jesus rejeitado, há tanto Jesus esquecido.
Esquecemos Jesus nos pobres e não nos lembramos de Jesus, que foi sempre pobre. Até no Natal passamos ao lado do Natal. Para muitos, o Natal é um aniversário sem aniversariante. Pertinente é, sem dúvida, o lamento de Jesus pelas palavras poetadas de João Coelho dos Santos: «Senta-se a família/ À volta da mesa./ Não há sinal da cruz,/ Nem oração ou reza./ Tilintam copos e talheres./ Crianças, homens e mulheres/ Em eufórico ambiente./ “Lá fora tão frio, Cá dentro tão quente!”/ Algures esquecido,/ Ouve-se Jesus dorido:/ “Então e Eu,/ Toda a gente Me esqueceu?”».


Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.
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