HÁ MAIS DESERTOS NOS CORAÇÕES DO QUE NOS SOLOS

É por isso que a esperança não é inativa. A esperança é profundamente ativa e ativadora. Ter esperança não é ficar quieto, não é aquietar. Pelo contrário, ter esperança é inquietar e deixar-se inquietar. Aliás, São Pedro também irmana a novidade que esperamos com a justiça por que (também) suspiramos (cf. 2Ped 3, 8).
Sem justiça, não haverá novos céus nem nova terra. Sem justiça, nenhuma novidade é boa. Mas para que a justiça possa acontecer, o Justo temos de acolher. Deixemos, pois, que as nuvens «chovam» o Justo (cf. Is 45, 8). A justiça tem de ser acolhida como um dom. Nós sabemos que, como reza o Salmo 72, nos dias do Senhor, a justiça, juntamente com a paz, virá para sempre (cf. Sal 72, 3).

A iniciativa é de Deus. É Deus que, em Cristo, nos envia a justiça e a paz. João é a voz que anuncia a chegada desta justiça e desta paz. É neste sentido que João é a voz que urge conversão. Mas é igualmente neste sentido que João surge também como uma voz que «brada no deserto» (Mc 1, 3).
O deserto, aqui, não são tanto os solos áridos. O deserto, aqui, são sobretudo os nossos corações insensíveis e indiferentes. Há mais desertos nos corações do que nos solos. João fala para nós. Mas que atenção damos à sua voz? Hoje, há tantos desertos no mundo, há tantos desertos na vida. João é o homem que fala no deserto e ao deserto. É o homem que não foge das adversidades. É o homem que diz o que tem de ser dito, para que nós façamos o que tem de ser feito.



Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

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