FOI EM SILÊNCIO QUE ACONTECEU O MAIOR MILAGRE

 Afinal, que celebramos no Natal? Com tanta máscara que por aí anda do Pai Natal nem reparamos no rosto límpido e puro de um menino. O «pai do Natal» não é o Pai Natal; o «pai do Natal» é um menino: o Deus-Menino. É por isso que hoje, neste santo dia de Natal, celebramos o maior milagre de todos os tempos. Foi o milagre que transformou o mais distante no mais próximo. Foi o milagre que trouxe a eternidade para o tempo. Foi o milagre que levou o céu a descer à terra. Enfim, foi o milagre no qual Deus Se fez homem. Não há milagre maior. Não há sequer milagre igual. E, no entanto, este milagre — o maior milagre de sempre — foi realizado em silêncio. É espantoso como até o escritor angolano José Eduardo Agualusa notou que «os melhores milagres costumam ser discretos». De facto, assim acontece em Belém. É no silêncio de Belém que Deus ao nosso encontro vem.
Tendo em conta que «milagre» significa «maravilha», há que estar atento ao silêncio de tantas maravilhas e às maravilhas de tantos silêncios. É que tão preocupados andamos com os milagres que desejamos que nem nos apercebemos dos milagres que Deus realiza. Pedimos tantos milagres neste mundo que nem damos conta dos milagres que se realizam a cada segundo. Curiosamente, o referido escritor José Eduardo Agualusa alerta-nos para «os milagres que acontecem a cada segundo». E continuam a acontecer — quase sempre — em silêncio.


2. Foi em silêncio que Verbo Se fez carne (cf. Jo 1, 14) e que a Palavra chegou ao mundo. É no silêncio, aliás, que a Palavra habita desde sempre. No princípio, antes de o tempo começar a ser tempo, a Palavra estava em silêncio e o silêncio estava na Palavra. E quando, na «plenitude dos tempos» (Gál 4, 4), a Palavra chegou ao mundo, o silêncio também desceu à terra. Porquê? Porque só em silêncio é possível gerar a Palavra. Só em silêncio é possível acolher a Palavra da vida e mergulhar na vida da Palavra.
É este silêncio que, hoje, respiramos. É neste silêncio que, em cada dia, devíamos habitar. Foi o eterno silêncio de Deus que fecundou o eloquente silêncio de Maria. Tudo mudou quando o silêncio falou. As trevas sobressaltaram-se. A noite acordou. Toda a natureza — e não apenas o galo — cantou. A manhã despontou. E o Salvador chegou.



Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

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