ARRISCAR É PRECISO

O natural entusiasmo das crianças devia ser contagiante.

É que elas avançam com os olhos arregalados para a realidade, sem barreiras nem esquemas de defesa. Ficam – por assim dizer – disponíveis para acolher tudo o que se passa. Confiam sem problemas e, quando não sabem, perguntam.

Pelo contrário, a tendência dos adultos é desconfiar e defender-se. Muitos vivem como quem leva o cotovelo diante dos olhos para evitar golpes desagradáveis ou inesperados da vida, retêm da realidade apenas o que lhes convém e são manhosos perante certas evidências: preferem fechar-se no seu pequeno espaço e recusam surpreender-se com as sugestões que vida traz. 

Assim se joga a nossa liberdade: ou (primeira hipótese) nos entrincheiramos em esquemas e jogamos à defesa; ou (segunda hipótese) arriscamos como as crianças, de coração simples e olhar escancarado.

O mistério do Natal terá sérias dificuldades em florescer na primeira hipótese.

Aura Miguel in Rádio Renascença em 2011

«Ser pequeno. As grandes audácias são sempre das crianças. - Quem pede... a Lua? - Quem não repara nos perigos, ao tratar de conseguir o seu desejo?

"Ponde" numa criança "destas" muita graça de Deus, o desejo de fazer a sua Vontade (de Deus), muito amor a Jesus, toda a ciência humana que a sua capacidade lhe permita adquirir..., e tereis retratado o carácter dos apóstolos de hoje, tal como indubitavelmente Deus os quer.»

(São Josemaría Escrivá)

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