O QUE JESUS CENSURA NO COMPORTAMENTO DOS FARISEUS

O texto do Evangelho divide-se em duas partes. Na primeira, Jesus faz um retrato psico-teológico dos fariseus (cf. Mt 23, 1-7). Na segunda, oferece alguns conselhos aos discípulos para que não os imitem (cf. Mt, 23, 8-12).

Dos fariseus Jesus diz, em primeiro lugar, que eles se sentavam na «cadeira de Moisés» (cf. Mt 23, 2). Esta expressão refere-se à pretensão desmedida e à vaidade insaciável que os dominava. Com efeito, os fariseus atribuíam a si próprios a autoridade máxima (e exclusiva) para interpretar a Lei de Moisés. Em vez de servirem a Palavra de Deus, apropriam-se da Palavra de Deus, distorcendo-a. Desvirtuam-na com regras pesadas e imposições impraticáveis, que não favoreciam (longe disso) o encontro com Deus.

Em segundo lugar, Jesus acusa os fariseus de serem incoerentes (cf. Mt 23, 3). O que mais impressiona é que eles «dizem e não fazem» (Mt 23, 3). As suas palavras não condizem com as suas obras. Os seus comportamentos não se conformam com os seus ensinamentos. Os seus ensinamentos devem ser escutados, mas o seu exemplo não deve ser seguido.

Mas o que Jesus mais critica nos fariseus é o peso dos fardos com que sobrecarregam os outros (cf. Mt 23, 4). Na verdade, as exigências dos fariseus tornavam a vida impossível, tantas eram as obrigações, as proibições e o controlo que eles faziam derivar da Lei. No fundo, era inviável conhecer todos os preceitos, quanto mais praticá-los. Acresce que (outra incoerência) o peso que colocavam sobre os outros não era carregado por eles. Coisas difíceis não eram para eles; eram só para os outros.



Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

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