NUNCA PERDEMOS QUANDO NOS PERDEMOS PELO EVANGELHO

Aliás, o texto que escutamos é redigido numa altura em que o medo começava a sobrevoar o ambiente entre os cristãos. Algumas divisões e a possibilidade de algumas perseguições desencadeavam algum desalento e não pouca desmotivação. Recorde-se que estávamos no final do século I, aí pela década de 80. Os cristãos, talvez já cansados de esperar a segunda vinda de Jesus, perderam muito do seu entusiasmo inicial. Estavam como o terceiro servo da parábola: sem vontade de arriscar e de pôr ao serviço dos outros os talentos que Deus lhes deu.

Tal como hoje, era fundamental redespertar a fé, reaquecer o espírito e renovar o compromisso com o Evangelho. Tal como hoje, era urgente perceber que viver em Cristo é ser ousado, é não deixar correr, é não desistir. Viver em Cristo é nunca começar a desistir e nunca desistir de começar.

Na missão, é normal — e até desejável — que percamos alguma coisa. É bom, com efeito, que percamos calculismo, que percamos falsas seguranças, falsas certezas e falsas defesas. O caminho de Jesus é um caminho de ousadia, um caminho de risco. Por conseguinte, é preciso arriscar.

Não tenhamos medo de proclamar o que recebemos de Jesus: o Seu Evangelho, a Sua mensagem, a Sua doutrina. Não tenhamos medo de levar Jesus a todos. Não tenhamos medo de rezar. Não tenhamos medo de ajoelhar. Não tenhamos medo de nos confessar. Não tenhamos medo de testemunhar. Deus está ao lado dos que se inquietam, dos que inquietam.

Guardemos, pois, o Evangelho, mas não nos resguardemos de arriscar tudo pelo Evangelho. Quando arriscamos, podemos perder. Mas quando arriscamos tudo pelo Evangelho, nunca nos perderemos!



Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

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