NO MEIO DE TANTAS DIFERENÇAS, EM QUE SOMOS IGUAIS?

Finalmente, Jesus não deixa de denunciar o exibicionismo dos fariseus. Estes, na verdade, eram peritos em fazer da fé um espetáculo à procura de aplauso. Faziam as coisas para que todos vissem e aplaudissem. Por vaidade, alargavam as «filatérias» e ampliavam as «borlas» (cf. Mt 23, 5).

Já agora, «filatérias» eram caixinhas de couro com trechos da Lei, que os israelitas usavam, a partir dos 13 anos, durante as orações matinais. Quanto às «borlas», tratava-se de franjas colocadas nas quatro extremidades do manto – o «tallît» – que o judeu piedoso punha aos ombros durante a oração. Ou seja, os fariseus eram especialistas em trabalhar para a imagem, apenas para a imagem. Não será que esta tentação ainda nos afeta? Não andamos nós, muitas vezes, preocupados com as aparências, com cargos e com honrarias?

Perante isto, como devem viver os cristãos? Qual é o projeto alternativo que lhes é dado testemunhar? O que, acima de tudo, Jesus quer é que formemos uma fraternidade, é que nos sintamos como irmãos. É tão fácil de dizer e tão belo de sentir. Porque é, então, tão difícil de viver?

Jesus pretende vincar uma igualdade por cima de tantas diferenças. Mais do que salientar as relações de pais e filhos, de mestres e discípulos, de doutores e aprendizes (cf. Mt 23, 7-10), Jesus faz sobressair a comum (e primordial) condição de irmãos. Na fraternidade inaugurada por Jesus, até os pais são «irmãos» dos filhos e até os filhos são «irmãos» dos pais. Deus é Pai de todos: é Pai dos que são pais e Pai dos que são filhos. «Um só é o vosso Pai, aquele que está no Céu» (Mt 23, 9).



Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.
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