NÃO AO «DIZER SEM FAZER»

O problema dos escribas e dos fariseus nem era bem este. Eles falavam e sabiam o que diziam. Eram doutos, mas não eram coerentes. É por isso que Jesus diz para fazerem o que eles dizem, mas não fazem (cf. Mt 23, 3). Não basta dizer. O importante é fazer. É preciso fazer o que se diz. Não chega dizer o que se faz. Aliás, nem é preciso dizer o que se faz. O melhor discurso é o nosso percurso. É a nossa ação (e a nossa inação) que fala por nós.

É por isso que, como bem notou Paulo VI, o mundo escuta mais as testemunhas que os mestres. O mundo escutará os mestres se também forem testemunhas. A nossa missão não consiste em impor com palavras, mas em testemunhar com a vida. Mais do que falar «ex-cathedra», o apóstolo deve falar «ex-vita», a partir da vida.

É neste sentido que a liturgia deste Domingo nos convida à seriedade, à verdade e à coerência do nosso compromisso com Deus e com o Evangelho. Na Primeira Leitura, os sacerdotes de Israel são interpelados. Convocados para serem «mensageiros do Senhor do universo», eles deixaram-se dominar por interesses egoístas, negligenciando os seus deveres.

A Segunda Leitura, em contraste com a primeira, apresenta-nos o exemplo de Paulo, Silvano e Timóteo, enquanto evangelizadores de Tessalónica. Do esforço feito com amor, humildade e simplicidade nasceu uma comunidade que acolheu o Evangelho como dom de Deus.



Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

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