NADA É PROPRIEDADE NOSSA, TUDO É DOM PARA NÓS

Eis a grande lição deste Domingo: nada é propriedade nossa, tudo é dom para nós. Se Deus nos entrega a vida, então a vida que temos não é nossa; é dom de Deus para nós e para os outros. A esta luz, podemos não só dizer que «circular é viver», mas também que «viver é circular». Ou seja, viver é fazer circular a vida que Deus nos dá.

É com este espírito que somos convidados a celebrar o Dia Mundial dos Pobres, instituído pelo Papa Francisco. Se a nossa vida deve circular por todas as vidas, ela há-de circular especialmente pelas vidas mais desprotegidas. Foi neste sentido que um dos primeiros (e mais eloquentes) sinais da presença dos cristãos no mundo consistiu «no serviço aos mais pobres». E se foi assim no princípio, há-de ser sempre assim, até ao fim. É por isso que também hoje «somos chamados a estender a mão aos pobres, a encontrá-los, a fixá-los nos olhos e a abraçá-los, para lhes fazer sentir o calor do amor que rompe o círculo da solidão».

Acresce que a nossa vocação à partilha com os pobres é inseparável da nossa vocação à pobreza. A pobreza desponta, pois, como uma realidade e como uma vocação. E assumir a vocação à pobreza é o melhor meio para ajudar a combater a realidade da pobreza. Tudo isto pode parecer paradoxal e até contraditório, mas é uma bela e luminosa verdade. Enquanto a realidade da pobreza consiste na carência de bens, a vocação à pobreza consiste na superabundância de bem. Enquanto a pobreza material consiste em não ter, a pobreza espiritual consiste em partilhar o que se tem. Foi este o exemplo de Jesus que, como notou São Paulo, nos tornou ricos com o Seu ser pobre (cf. 2 Cor 8, 9).

E se Jesus foi pobre, os Seus discípulos, para O seguirem, terão (também) de ser pobres. É por isso que, como alerta o Santo Padre, «para os discípulos de Cristo, a pobreza é, antes de tudo, uma vocação a seguir Jesus pobre».


Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

You Might Also Like

0 comentários

Mapa De Visitante