Homilia: XXXIII Domingo do Tempo Comum - Ano A

São Basílio Magno
Regras Maiores 37
“Quem nos deu energias para trabalhar exigirá que nossas obras sejam proporcionais a essas forças”

Nosso Senhor Jesus Cristo afirma que quem trabalha merece o seu sustento; (o alimento), portanto, não é simplesmente um direito devido a todos sem distinção, mas de justiça para quem trabalha. O apóstolo também nos ordena trabalhar com nossas próprias mãos para ter com o que ajudar aos necessitados. É claro, portanto, que se deve trabalhar, e fazê-lo com dedicação. Não podemos tornar nossa vida de piedade em um pretexto para a preguiça ou para fugir da obrigação; pelo contrário, é um motivo de maior empenho na atividade e de maior paciência frente às tribulações, para que possamos repetir: com trabalhos e fadigas, repetidas vigílias, com fome e sede.
Esta norma de vida nos serve não somente para mortificar o corpo, mas também para demonstrar nosso amor ao próximo, e que, através de nossas mãos, Deus conceda o necessário aos irmãos mais frágeis segundo o exemplo do apóstolos, que diz nos Atos: Em tudo vos tenho mostrado que trabalhando assim é como devemos socorrer aos necessitados; e também para que tenhais com o que ajudar o necessitado. Desta maneira, um dia seremos dignos de escutar estas palavras: Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do reino que vos está preparado desde a criação do mundo, porque tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber.
Será um erro insistir que o ócio é mau, se o próprio apóstolo afirma abertamente que aquele que não trabalha não deve comer? Assim como o alimento diário é necessário, também o é o trabalho cotidiano. Não é em vão que Salomão escreveu este louvor (da mulher trabalhadora): O pão que come não é fruto da preguiça. O apóstolo diz de si mesmo: Não comemos gratuitamente o pão de ninguém, mas trabalhando dia e noite com cansaço e fadiga, apesar de que, como pregador do Evangelho, tinha direito a viver de sua pregação. O Senhor uniu a malícia à preguiça quando disse: Servo mau e preguiçoso.
E também o sábio Salomão não louvava apenas quem trabalha, mas também condena ao vagabundo, enviando-o junto ao pequenino animal: Vai, ó preguiçoso, ter com a formiga!, diz-lhe. Portanto, temos que temer que estas palavras nos sejam dirigidas no dia do juízo, porque quem nos deu energias para trabalhar exigirá que nossas obras sejam proporcionais a essas forças. A quem muito foi dado muito será cobrado...
Enquanto movemos as nossas mãos no trabalho, devemos dirigir-nos a Deus com a língua - se é possível ou útil para edificar a nossa fé -, ou ao menos com o coração, mediante salmos, hinos e cânticos espirituais, e assim rezar também durante a nossa ocupação, dando graças a quem coloca em nossas mãos a força para trabalhar, concede à nossa inteligência a capacidade de conhecer e nos proporciona a matéria, tanto dos instrumentos quanto dos objetos que fabricamos. E tudo isto, suplicando que nossas obras sejam do agrado de Deus.



Fonte: Lecionário Patrístico Dominical, pp. 253-254.

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