DO PECADO DA INCONTINÊNCIA - NECESSIDADE DA PUREZA NO PADRE

Do pecado da incontinência


Necessidade da pureza no padre


A incontinência é chamada por Basílio de Seleucia uma peste viva, e por S. Bernardino de Sena, o mais funesto de todos os vícios; e isso porque, como diz S. Boaventura, a impudicícia destrói o germe de todas as virtudes. Por isso Sto. Ambrósio lhe chama a origem e mãe de todos os vícios. De fato, este vício arrasta consigo todos os crimes: ódios, roubos, sacrilégios etc. S. Remígio teve pois razão em dizer que por causa deste vício, poucos adultos se salvam. E lê-se no Pe. Paulo Segneri que assim como o orgulho encheu o inferno de anjos rebeldes, assim a impudicícia o enche de homens. Nos outros vícios pesca o demônio ao anzol; neste é à rede, de modo que enche mais o inferno com esta paixão, do que com todas as outras. Assim, para punir a incontinência, há Deus enviado à terra os flagelos mais espantosos: dilúvios de água e de fogo!



Segundo Sto. Atanásio, é a castidade uma pérola mui preciosa, mas poucas pessoas cá na terra sabem encontrá-la. Ora, se esta pérola convém aos seculares, é absolutamente necessária aos padres. Entre todas as virtudes que o Apóstolo prescreve a Timóteo, recomenda-lhe em especial a castidade. Orígenes diz que é a primeira virtude que deve adornar o padre, quando sobe ao altar. E, segundo S. Clemente de Alexandria, nesta vida, somente são e se podem com verdade dizer sacerdotes os de vida pura. Se pois a pureza faz o padre, a impureza dalgum modo o há de despojar da sua dignidade, diz Sto. Isidoro de Pelusa. Eis a razão por que a santa Igreja, em tantos concílios, em tantas leis e advertências, sempre se tem mostrado ciosa de conservar a castidade nos padres. Inocêncio III publicou o seguinte decreto: “Ninguém seja admitido a uma Ordem sacra, desde que não seja virgem ou duma castidade provada; = Nemo ad sacrum Ordinem permittatur accedere, nisi aut virgo aut probatae castitatis existat (Cap. a multis. De aet. et qual. ord.). E ao mesmo tempo ordenou que os eclesiásticos incontinentes fossem excluídos — ab omnium graduum dignitate. Outro decreto é de S. Gregório: “Se alguém se manchar com um pecado carnal, depois de receber alguma Ordem sacra, seja excluído das funções da sua Ordem, e não seja mais admitido a servir ao altar”. Além disto, condenou todo o sacerdote réu dum pecado vergonhoso, a dez anos de penitência: durante os três primeiros meses devia dormir no chão duro, viver na solidão, sem nenhuma comunicação com os homens, e privado da sagrada comunhão; depois, durante ano e meio, devia sustentarse a pão e água; nos anos seguintes, devia continuar o jejum a pão e água, mas só três dias na semana. Em suma, a Igreja olha como monstros os padres que não têm uma vida casta.

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