DEUS GOSTA DE SURPREENDER

Na vida, estamos sempre à espera do que é novo. Cansados da rotina, achamos que é a novidade que nos ilumina. Para nós, o novo é o Noivo. E o Noivo, que vem ao nosso encontro, é o Senhor (cf. Mt 25, 6). O Senhor é o Noivo que vem desposar a humanidade, por quem dá a vida, por quem oferece o Seu sangue. O Senhor é o Noivo que vem selar, com a entrega do Seu ser, uma aliança de amor com o mundo.

Nem sempre nos encontra preparados, porém. Nem sempre estamos atentos ou disponíveis. Não cuidamos do «azeite» (cf. Mt 25, 3), que é a escuta do Cristo do Evangelho e o seguimento do Evangelho de Cristo. Pensamos que controlamos o dia e a hora da vinda do Senhor. Só que, quanto a isto, somos cabalmente prevenidos. Não sabemos o dia nem a hora. O Senhor gosta de surpreender. Aliás, a Sua vinda está sempre a acontecer. O Senhor está sempre a vir ao nosso encontro. Nós é que nem sempre cuidamos de ir ao encontro d’Ele.

Muitas vezes, deixamos que as nossas «lâmpadas» se apaguem (cf. Mt 25, 8). Muitas vezes, dormitamos e até adormecemos (cf. Mt 25, 5). Somos dominados pelo instante e pelo instinto. Faltam-nos horizontes largos e raízes fortes. Quando olhamos para o futuro, limitamo-nos ao nosso futuro, ao futuro neste mundo. Falta-nos, cada vez mais, o sentido da eternidade.

Trabalhamos para o curto prazo, para as conquistas imediatas. Esquecemos que, como decorre do Credo, somos feitos para a eternidade. Há um hino da Liturgia que nos aconselha a «trocar o instante pelo eterno». Mas nós, quase sempre, trocamos o eterno pelo instante.


Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.


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