A REALIDADE DA POBREZA E A VOCAÇÃO À POBREZA

A pobreza está mais no coração do que no bolso. De facto, a pobreza – prossegue o Sumo Pontífice - «significa ter um coração humilde, que sabe acolher a condição de criatura limitada e pecadora, vencendo a tentação de omnipotência que cria em nós a ilusão de sermos imortais. A pobreza é uma atitude do coração que nos impede de conceber como objetivo de vida o dinheiro, a carreira e o luxo».

Indo mais longe, dir-se-ia que é esta pobreza «que cria as condições para assumirmos livremente as nossas responsabilidades pessoais e sociais, confiando na proximidade de Deus e vivendo apoiados pela Sua graça. Assim entendida, a pobreza é o padrão que permite avaliar o correto uso dos bens materiais».

É, portanto (e sobretudo) na partilha com os mais necessitados que se concretiza esta aplicação dos talentos com que Deus nos presenteou. Deus é, sem dúvida, muito pródigo e infinitamente generoso para conosco. Se um único talento equivale a uma vida de trabalho, cinco talentos corresponderão a cinco vidas de atividade. Trata-se, portanto, de um imenso dom, que nos há-de levar a fazer sempre o que é bom.

Aquilo que Deus nos entrega não é para conservar, mas para repartir. Neste caso, Deus não quer que sejamos conservadores, mas ousados. O que Ele nos deu é para ser dado, o que Ele nos doou é para ser doado. Quanto mais se divide o que nos foi entregue, mais se multiplica o que nos foi dado.


Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

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