TANTO DE DEUS PARA NÓS, TÃO POUCO DE NÓS PARA DEUS

A rejeição não afeta apenas o homem em relação ao homem. Também afeta o homem na sua relação com Deus. Não falta, na verdade, quem insista em afastar Deus da vida e em afastar a vida de Deus. O problema é que, ao cortar com Deus, o homem não fica só sem Deus; arrisca-se a ficar também sem mundo e sem…ele mesmo. E, nesse caso, como escreveu Xavier Zubiri, «é a solidão absoluta».

Já o Antigo Testamento mostrava como Deus esperava muito do Seu povo, que Ele trata como sendo a Sua vinha: «A vinha do Senhor (…) é a Casa de Israel» (Is 5, 7). É uma vinha que Deus trata com enlevo e com desvelo: «Que mais se podia fazer à Minha vinha que Eu não lhe tivesse feito?» (Is 5, 4). Tanta amava Deus a Sua vinha, tanto esperava Deus da Sua vinha e tão pouco ofereceu a Sua vinha a Deus: «Quando Eu esperava que viesse a dar uvas, porque deu ela só uvas azedas?» (Is 5, 4)! Aliás, este é um sentimento que nós entendemos bem. Tanto trabalho dá a vinha ao viticultor e tão pouco proveito parece tirar o viticultor da vinha!

De Israel Deus esperava «a retidão e só há sangue derramado; esperava justiça e só há gritos de horror» (Is 5, 7). Sem Deus, o povo não acerta no seu caminho. Daí que o povo clame para que Deus reconsidere, como escutámos no Salmo Responsorial: «Deus do universo, vinde de novo, olhai dos Céus e vede, visitai esta vinha» (Sal 79, 15).

Os profetas continuaram a vir. O próprio Filho de Deus visitou o Seu povo. E, não obstante, a rejeição manteve-se. Ao longo destes vinte séculos, a rejeição de Jesus Cristo não ocorre apenas lá fora; também ocorre cá dentro. Aliás, Jesus, perante alguma animosidade em Nazaré, disse que «um profeta só é desprezado na sua terra, entre os seus familiares e em sua casa» (Mc 6, 4).


Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.
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